• Padre Carlos Alberto Contieri, SJ

Dia 18 - quinta-feira: Ez 36,23-28; Sl 50(51); Mt 22,1-14.


Vale lembrar que a parábola é utilizada quando o diálogo se torna difícil ou, então, quando o conteúdo da mensagem é árduo de ser compreendido ou aceito. Os destinatários da parábola de hoje são os sumos sacerdotes e os anciãos. A imagem utilizada na parábola é a da festa de casamento de um membro da família real, o filho do rei. Como era costume, a festa de casamento durava vários dias. Não obstante a insistência de chamar os convidados para festa, por três vezes a parábola comenta que eles não deram importância ao convite e se recusaram ir (cf. vv.3.5.6). Certamente, a mensagem da parábola é o apelo que Deus faz aos judeus por meio de Jesus, de entrarem no Reino dos Céus, isto é, de viverem os valores do Reino revelados no ensinamento do Filho único de Deus. Os judeus rejeitam o convite. Daí a oportunidade de afirmar a universalidade da salvação. A iniciativa do convite é de Deus. Por isso, participar do seu Reino não é mérito de ninguém, mas graça oferecida a todos. Entre os que entraram para a festa havia alguém que não trajava a veste de festa. Ainda que seja difícil estabelecer o significado exato do símbolo da veste nupcial, podemos conjeturar se tratar de um apelo à conversão. A parábola é a imagem da rejeição de Jesus por parte de Israel e, ao mesmo tempo, a abertura da salvação a todos as pessoas e povos.


Na solenidade de São Pedro e São Paulo, dia 29 de junho de 2022, o Papa Francisco, inspirando-se do versículo 9 – ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes – disse na homilia: “Esta palavra do Senhor deve ressoar, ressoar na mente e no coração: todos, na Igreja tem lugar para todos. E muitas vezes, nós nos tornamos uma Igreja de portas abertas para despedir as pessoas, para condenar as pessoas. Ontem, um de vós me dizia: ‘Para a Igreja este não é o tempo de despedir as pessoas, mas do acolhimento’. “Não vieram ao banquete...” Ide às encruzilhadas. Todos, todos! ‘Mas são pecadores...’ Todos!”

  • Padre Carlos Alberto Contieri, SJ

Dia 17 - quarta-feira: Ez 34,1-11; Sl 22(23); Mt 20,1-16.

O evangelho de hoje é uma parábola do Reino (“O Reino dos céus é como...”) que não figura na lista das parábolas do reino do capítulo treze do mesmo evangelho de Mateus. A parábola, em primeiro lugar afirma algo de fundamental de Deus: Deus é Bom e, em todos os tempos e sem distinção, ele chama a todos para a sua vinha. A parábola é expressão da universalidade da salvação de Deus. A “vinha” é símbolo tanto de Israel como do Reino de Deus. Em todo tempo, representado pelas horas da jornada de trabalho, Deus toma a iniciativa de chamar a todos, onde quer que estejam, para o seu Reino. Deus é quem oferece a possibilidade de participação no seu Reino, independentemente dos méritos de cada um, pois Deus não quer que ninguém que Ele criou se disperse ou se perca (cf. Jo 6,39; 10,28; 17,12). Em que consiste a justiça própria de Deus? Em amar sem distinção e sem limite. De algum modo, e em relação aos outros que nos precederam, todos nós somos operários da undécima hora. A verdade é que o modo de Deus agir revoluciona nossa escala de valores (vv.13-16). A igualdade do que cada um recebe ressalta a graça extraordinária feita por Deus aos pecadores. Aos olhos de Deus, o verdadeiro salário é ouvir o convite e ser admitido à sua vinha. O amor de Deus é para todos; Ele não faz acepção de pessoas. Da alegria da salvação ninguém está excluído.

  • Padre Carlos Alberto Contieri, SJ

Dia 16 - terça-feira: Ez 28,1-10; Sl (Dt 32); Mt 19,23-30.

Em continuidade com o episódio anterior, o evangelho de hoje apresenta que, de fato, a riqueza pode se constituir em um obstáculo intransponível para entrar na comunhão com Deus. A preocupação desordenada com o ter entrava a liberdade e impede a pessoa de confiar e depender unicamente de Deus. Nesse sentido, o ter pode ser e é expressão da idolatria. Frente à intervenção dos discípulos – quem poderá salvar-se? (v.25) - Jesus responde que tudo está remetido à misericórdia divina, pois a salvação é dom de Deus. Ademais, para Deus nada é impossível (cf. Lc 1,37). A teologia da retribuição contaminou desde há muito tempo a relação do povo com seu Deus e impediu o povo de reconhecer a generosidade e gratuidade da ação de Deus na história humana. A pergunta de Pedro a Jesus que “haveremos de receber?” uma vez que deixamos tudo para te seguir (cf. v.27), é expressão da teologia da retribuição. A resposta de Jesus aponta para a escatologia (para o que é definitivo, último) e promete, para os que permanecerem fiéis no seu seguimento, a participação no juízo do povo eleito (cf. v.28; 25,31). O cêntuplo prometido é o reconhecimento de Deus do valor inestimável de cada pessoa e a participação dela na vida divina. É preciso insistir: cada um deve se esforçar, segundo suas possibilidades, por entrar no reino dos céus. No entanto, a salvação não é medida por esse esforço, pois ela é dom de um Deus que torna possível o que aos olhos do mundo parece impossível.