Homilias

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O Pateo do Collegio disponibilizará, a partir do I Domingo da Quaresma, as homilias proferidas pelo Pe. Carlos Contieri, SJ em formato de vídeo.

As homilias poderão ser acessadas pelo nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCd8qIVpJGNqPXHRlVR-8v8g/feed

 

Segue o link da homilia deste domingo:

 

 

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Textos: Ez 37, 21-28; Sl (Jr 31); Jo 11, 45-56.

 

Nosso trecho do evangelho é a sequência do episódio de Lázaro, que é uma verdadeira catequese sobre a ressurreição. O comentário do evangelista sobre a reação de Caifás, dá à morte de Jesus um caráter universal: “não somente pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos” (v. 52). A posição de Caifás é eminentemente política e, implicitamente, contra o Império romano. O processo que condenou Jesus à morte está envolto na mentira, na dissimulação e na falsidade, além da inveja. Os sumos sacerdotes e os fariseus que reuniram o conselho reconhecem que Jesus realizava muitos sinais; no entanto, foram incapazes de interpretar corretamente os sinais que que conduziriam a Deus através da fé em Jesus, enviado do Pai. A incapacidade de interpretar os sinais realizados por Jesus se deve à cegueira (cf. Jo 9, 40-41). Nas vicissitudes da história humana, entre sombras e luzes, na luta entre o bem e o mal que disputam o coração do homem, Deus revela seu desígnio e leva a termo o seu plano salvífico. A decisão do Sinédrio, ao que tudo indica, era pública (cf. v. 53). Por isso, uma vez mais, o evangelho observa que Jesus com os seus discípulos permanecem longe de Jerusalém (cf. v. 54). A indicação da proximidade da Páscoa já prepara o leitor para a paixão e morte de Jesus. Muita gente que chegou antes para se preparar para a festa da Páscoa, procurava Jesus, alimentando a expectativa de poder vê-lo. A multidão que se reúne em Jerusalém para a festa mais importante do calendário judaico, será testemunha do julgamento iníquo e da morte do justo, Jesus de Nazaré.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 

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Textos: Jr 20, 1-13; Sl 17(18); Jo 10, 31-42.

 

O texto do profeta Jeremias é um trecho de um conjunto de escritos que denominamos de autobiográficos. Se o profeta se vê caluniado e perseguido pelos seus próprios conterrâneos por causa da palavra que Deus colocou em sua boca, ele também se sente encorajado a continuar falando por inspiração de Deus, pois, ele mesmo o diz: “o Senhor está ao meu lado como um forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha (Jr 20, 11).

A vida de Jesus é continuamente ameaçada de morte: … pegaram pedras para apedrejar Jesus (v. 31.32.33). Não obstante isso, Jesus persiste no seu caminho para o Pai, na fidelidade à vontade de Deus, que ele tem como sustento de sua vida (cf. Jo 4, 34). A acusação dos judeus contra Jesus é a “blasfêmia” (cf. v. 33). Blasfêmia é falar contra Deus. Ora, quem resiste à mensagem de Jesus e fala contra ele é que blasfema. No capitulo 6, à pergunta da multidão sobre o que fazer para trabalhar nas obras de Deus (v. 28), Jesus responde que há uma questão fundamental que precede todo agir: crer no Enviado de Deus (v. 29). Para os judeus do nosso texto não são as boas obras o objeto da perseguição e das suas tentativas homicidas, mas a blasfêmia. Ora, para Jesus agir e falar estão intimamente unidos. As obras que ele realiza e, definitivamente, o Pai, é que dão testemunho dele. Ainda no capítulo 6, é apontada a dificuldade de os judeus discernirem as obras de Jesus, de reconhecerem nelas sinais, isto é, manifestação do Espírito e da divindade de Jesus, que remetem ao mistério de Deus (cf. v. 26). A causa da rejeição é, na verdade, a falta de fé, apontada no capítulo 9 como “cegueira”. Jesus, é bom notar, não se entrega facilmente nas mãos dos judeus; busca, sem covardia nem medo, preservar a própria vida (cf. 10, 39). A divisão entre os que rejeitam Jesus e os que creem nele, mostra a ambiguidade própria do sinal que, por isso mesmo, precisa ser discernido.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

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Textos: Gn 17, 3-9; Sl 105(104); Jo 8, 51-59.

 

A contrapartida da promessa de Deus a Abraão de uma numerosa descendência é a fidelidade ao Deus único e verdadeiro o que implica a renúncia determinada de adorar outros deuses. Processo que não será nada fácil para o povo de Deus. Para nós, em nossos dias, trata-se de uma tentação muito sutil: com bastante facilidade tem-se perdido a referência ao Deus revelado em Jesus Cristo. Percebe-se, cada vez mais, as pessoas organizarem suas vidas prescindo parcial ou completamente dos valores do evangelho, nos quais se exprime a vontade de Deus para todos. Manter-se fiel ao seguimento de Jesus Cristo e ao Deus revelado nele, implica um modo de viver a vida que condiga com a vontade de Deus.

O trecho do evangelho de hoje é a conclusão da controvérsia entre Jesus e os judeus, no Templo de Jerusalém, antes da Páscoa. Guardar a palavra significa pô-la em prática. A palavra do Senhor é um sopro que faz viver. Permitir que essa palavra viva em nós e pô-la em prática é experimentar a vitória da vida sobre toda realidade de morte, que muitas vezes e em diversas situações habita o coração do ser humano. Somente Deus pode fazer viver não obstante as circunstâncias que nos cercam. Pela palavra do Senhor nos é dado o Espírito de vida. No diálogo de Jesus com Nicodemos, ele diz: Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3, 16). Por isso, para o leitor que ouve a crítica dos judeus (cf. vv. 52-53), a conclusão não pode ser outra senão a de que eles blasfemam, ou, no dizer de Jesus, “mentirosos” (v. 55), encerrados na dificuldade de ouvir atenta e detidamente as palavras de Jesus. Em razão dessa verdadeira surdez espiritual, eles fazem um juízo precipitado acerca daquilo que move e orienta toda a vida de Jesus. O nó de toda a controvérsia está no fato de que o filho não busca a própria glória, ao passo que certas pessoas, cristãos e judeus, no interior de sua própria fé e usando-a como justificativa buscam a sua própria glória. Essa busca de si é destrutiva e desagregadora porque tem uma motivação religiosa equivocada. É o Filho que ensina a buscar a glória do Pai, isto é, o rosto misericordioso de Deus.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

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Textos: Dn 3, 14-20.24.49.91-92.95; Sl=Dn 3; Jo 8, 31-42.

 

O Deus de Israel, Deus único e verdadeiro, é o Deus que liberta. Assim, ele se apresenta por exemplo na introdução às duas versões do decálogo: “Eu sou Iahweh teu Deus, que te fez sair da terra do Egito, do país da escravidão” (Ex 20, 1; Dt 5, 6). Deus, como lemos no trecho do profeta Daniel, nos liberta do medo, e pela fé, dá força a Sidrac, Misac e Abdênago para entregarem a vida em favor da fidelidade a Deus, como se lê no final do texto de hoje: eles preferiram “entregar suas vidas a servir qualquer outro deus que não fosse o seu Deus” (Dn 3, 95). Pela fé, nós somos libertados de todos os temores para, na força do Espírito Santo, em meio às adversidades do nosso tempo, darmos testemunho de Jesus Cristo, vencedor do mal e da morte.

Diante da pessoa de Jesus os judeus se dividiam. Se há os que lhe faziam forte oposição e gritarão a sua condenação à morte, há também os que passaram a crer nele. São estes os destinatários desta parte do discurso de Jesus: Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado… (v. 31). No entanto, esses judeus que passaram a acreditar em Jesus continuam na dificuldade de se abrirem ao seu ensinamento e compreenderem em profundidade a sua mensagem, e viverem dessa verdade. A fé de Israel deveria abri-los à novidade de Deus revelada em Jesus Cristo. Pois, a verdade que liberta é a verdade de Deus revelada em Jesus. Essa verdade liberta de uma imagem equivocada e severa de Deus que arranca do coração do ser humano a alegria de viver em Deus. Verdade, aqui, não é movimento do intelecto que busca o acordo entre conceito e realidade, mas algo recebido na fé e que vem da escuta atenta da Palavra encarnada de Deus. É Jesus Cristo, caminho, verdade e vida que liberta da escravidão causada pelo pecado. É essa verdade recebida como dom que permite ao ser humano não se tornar prisioneiro de sua própria mentalidade, inclusive. Como verdade, ela ilumina e orienta a vida em Deus e para Deus.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 

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Textos: Nm 21, 4-9; Sl 101(102); Jo 8, 21-30.

 

A cruz de Jesus é símbolo do seu imenso amor até o fim (cf. Jo 13,1) e, ao mesmo tempo, ela é o resultado da rejeição da mensagem e da pessoa de Jesus por parte dos judeus. Esse tema da rejeição já se encontra antecipado no prólogo do quarto evangelho (1,5.10.11). Esse é, exatamente, o pecado dos judeus denunciado por Jesus: a rejeição de sua própria pessoa e de sua missão, assim como de sua origem divina. O pecado está em não acreditar em Jesus, em se fechar à verdade de Deus. Mais ainda, a afirmação de Jesus sobre o pecado de seus opositores declara, de certa forma, inútil todo o sistema religioso judaico. Sem a aceitação da salvação em Jesus Cristo, não pode haver profunda e verdadeiramente a purificação e o perdão como se pretendia com a festa anual de yom kippur e todos os demais ritos e festas da religião de Israel. O apego às coisas terrenas e às tradições humanas impede de compreender o mistério de Deus revelado em Jesus Cristo. Jesus não fala em se matar, como suspeitavam os seus opositores; mas serão eles que matarão o Filho de Deus. É na cruz, no entanto, que a divindade de Jesus, paradoxalmente, se manifestará. Na glória da cruz a comunhão entre o Pai e o Filho aparecerá sem sombra. Apesar de toda rejeição e abandono, inclusive dos próprios discípulos, o Pai estará sempre com seu Filho, permanecerá com ele na paixão e na morte: Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é do seu agrado (v. 29).

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 

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Textos: Dn 13, 1-9.15-17.19-30.33-62; Sl 22(23); Jo 8, 1-11.

 

A longa história do livro de Daniel apresenta duas ideias fundamentais: o ser humano para satisfazer seus próprios interesses se deixa levar pela inclinação má do coração e é capaz do mal tramando a morte do inocente. Mas, Deus não se deixa enredar nem pela aparência nem tampouco por palavras traiçoeiras; Deus “salva os que nele esperam” (Dn 13, 60).

Jesus é um Rabbi itinerante; onde quer que ele esteja ou passe, ele aproveita para ensinar, inclusive no Templo de Jerusalém (cf. v. 1). O seu modo de viver, de se relacionar com Deus e com as pessoas é, em si mesmo, um ensinamento.  Os escribas e os fariseus procuram sempre armar uma armadilha para terem do que acusar Jesus. A questão posta por eles a Jesus é a da pena capital de apedrejamento para a mulher, anônima para o leitor, surpreendida em adultério (ver: Lv 20,10; Dt 22,22-24). Quem poderia defender aquela mulher? Quem a poderia perdoar e com que argumento? Que esperança para ela? A lei de Deus foi dada por ele a seu povo para proteger a vida e a liberdade. Como tirar, então, a vida de alguém? O tom, evidentemente, é de provocação e desafio. A primeira resposta de Jesus é o silêncio e um gesto simbólico que mostra sua irritação e indignação diante da falta de misericórdia e da dureza de coração (cf. v. 6). Mas, não compreenderam nem se contentaram com o gesto. Diante da insistência deles, Jesus traduz o gesto em palavras que revelam a verdade sombria de cada um: Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra (v. 7). Por isso, eles vão se retirando um a um. A mulher, agora, tem diante de si a vida, somente o Senhor da vida, aquele que tem a “palavra de vida eterna”. A misericórdia venceu a dureza do coração e fez emergir o verdadeiro rosto de Deus. A palavra do Senhor liberta e revela o rosto misericordioso de Deus, oferecendo a possibilidade de uma vida transformada pelo amor (cf. vv. 10-11). Ademais, há um outro pecado, muito mais grave, a saber, a idolatria, considerada um verdadeiro adultério (cf. Ez 16; Os 2). Não há, diante de Deus, para ninguém, fim de linha: Ninguém te condenou? (…) Eu também não te condeno. A misericórdia de Deus não é consentimento com o pecado que desfigura e escraviza o ser humano; ela abre para a pessoa perdoada a possibilidade de uma vida nova: Vai e, de agora em diante, não peques mais (v. 11).

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 

 

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Textos: Sb 2,1.12-22; Sl 33(34); Jo 7, 1-2.10.25-30.

 

Jesus aceita plenamente o desígnio do Pai, mas não vai ao encontro da morte como quem a procura. Ele evita ser preso pelos judeus que já haviam decidido matá-lo. Jesus tampouco expõe os seus discípulos, razão pela qual, ao menos em determinados momentos, ele evita andar com eles. Pensando conhecer a origem de Jesus, esses anônimos do versículo 25 se equivocam, ignoram os desígnios de Deus e se esquecem de que Deus é surpreendente.  O ensinamento de Jesus no Templo revela, com uma fina ironia, a ignorância deles (cf. v. 28). A verdadeira origem de Jesus é divina (v. 29; cf. 1,1). O hermetismo no qual estão enredados lhes impediu, inclusive, de conhecer verdadeiramente Deus e o seu desígnio. Esta crítica revela a verdadeira razão da ignorância deles: não chegaram, de fato, a conhecer Deus. A oposição passional, diga-se irracional, leva os adversários de Jesus a querer prendê-lo. O livro da Sabedoria antecipa a interpretação: Dizem entre si os ímpios, em seus falsos raciocínios: “Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se Filho de Deus (Sb 2, 1.12-13). Jesus incomoda: sua coerência desconcerta, sua caridade desinstala, sua mensagem põe no centro da lei o amor e a misericórdia, seus gestos curam, sua palavra dá vida e desperta a fé na vida. Toda a sua existência revela o rosto do Pai.  Tudo isso é luz que revela o mal e toda a sua armadilha. Mas, a história relida à luz do mistério de Cristo mostra que o desígnio de Deus tem o seu dinamismo e tempo próprios. O mal não triunfou sobre Jesus, e há de ser vencido também em nós e na nossa história em curso, com a graça de Deus.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

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Textos: Ex 32, 7-14; Sl 106(105); Jo 5, 31-47.

Deus é o centro da vida de Jesus e todo o Antigo Testamento aponta e é preparação para a vinda do Filho único de Deus – a correta interpretação da Palavra de Deus conduz à fé em Jesus como enviado do Pai, como aquele que realiza a vontade de Deus. Esses são os dois temas fundamentais do trecho do evangelho que nos é proposto. Essa afirmação nos oferece a oportunidade de uma dupla pergunta que nos pode ajudar a aprofundar o mistério de Deus em nós e a autenticidade de nossa vida cristã: Deus é o centro da sua vida? Que lugar a Palavra de Deus ocupa na sua vida cristã?

Como é habitual no evangelho segundo João, os temas desenvolvidos nesse trecho do discurso de Jesus já se encontram antecipados no prólogo (Jo 1, 1-18). O evangelho de João é o desenvolvimento temático do prólogo. As obras de Jesus têm um caráter de sinal; se compreendidas como tal, elas conduzem a Deus. Por isso, as obras dão testemunho de Jesus, pois nelas se revela o desígnio salvífico de Deus. Mas, não somente isso, pois a força do testemunho em favor de Jesus vem do Pai. A vontade do Pai está na origem e sustenta a missão de Jesus. A vontade do Pai é para Jesus verdadeiro alimento (cf. Jo 4, 31-34). Sendo assim, não basta simplesmente escutar Jesus, é preciso deixar-se iluminar e habitar por sua Palavra. A razão, de fato, da resistência dos judeus com relação a Jesus é a falta de fé em Deus (cf. vv. 37-38), e a falta de compreensão do verdadeiro sentido da Escritura (cf. v. 39). Toda a Escritura se destina e encontra seu sentido em Jesus Cristo (cf. v. 45-47). O fechamento nos próprios interesses e o desejo de honras mundanas (cf. v. 44) impedem os opositores de Jesus de reconhecerem que a vida de Deus “in-habita” em Jesus.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

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