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  • Liturgia Diária 18/08

    Dia 18 - quinta-feira: Ez 36,23-28; Sl 50(51); Mt 22,1-14. Vale lembrar que a parábola é utilizada quando o diálogo se torna difícil ou, então, quando o conteúdo da mensagem é árduo de ser compreendido ou aceito. Os destinatários da parábola de hoje são os sumos sacerdotes e os anciãos. A imagem utilizada na parábola é a da festa de casamento de um membro da família real, o filho do rei. Como era costume, a festa de casamento durava vários dias. Não obstante a insistência de chamar os convidados para festa, por três vezes a parábola comenta que eles não deram importância ao convite e se recusaram ir (cf. vv.3.5.6). Certamente, a mensagem da parábola é o apelo que Deus faz aos judeus por meio de Jesus, de entrarem no Reino dos Céus, isto é, de viverem os valores do Reino revelados no ensinamento do Filho único de Deus. Os judeus rejeitam o convite. Daí a oportunidade de afirmar a universalidade da salvação. A iniciativa do convite é de Deus. Por isso, participar do seu Reino não é mérito de ninguém, mas graça oferecida a todos. Entre os que entraram para a festa havia alguém que não trajava a veste de festa. Ainda que seja difícil estabelecer o significado exato do símbolo da veste nupcial, podemos conjeturar se tratar de um apelo à conversão. A parábola é a imagem da rejeição de Jesus por parte de Israel e, ao mesmo tempo, a abertura da salvação a todos as pessoas e povos. Na solenidade de São Pedro e São Paulo, dia 29 de junho de 2022, o Papa Francisco, inspirando-se do versículo 9 – ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes – disse na homilia: “Esta palavra do Senhor deve ressoar, ressoar na mente e no coração: todos, na Igreja tem lugar para todos. E muitas vezes, nós nos tornamos uma Igreja de portas abertas para despedir as pessoas, para condenar as pessoas. Ontem, um de vós me dizia: ‘Para a Igreja este não é o tempo de despedir as pessoas, mas do acolhimento’. “Não vieram ao banquete...” Ide às encruzilhadas. Todos, todos! ‘Mas são pecadores...’ Todos!”

  • Liturgia Diária 17/08

    Dia 17 - quarta-feira: Ez 34,1-11; Sl 22(23); Mt 20,1-16. O evangelho de hoje é uma parábola do Reino (“O Reino dos céus é como...”) que não figura na lista das parábolas do reino do capítulo treze do mesmo evangelho de Mateus. A parábola, em primeiro lugar afirma algo de fundamental de Deus: Deus é Bom e, em todos os tempos e sem distinção, ele chama a todos para a sua vinha. A parábola é expressão da universalidade da salvação de Deus. A “vinha” é símbolo tanto de Israel como do Reino de Deus. Em todo tempo, representado pelas horas da jornada de trabalho, Deus toma a iniciativa de chamar a todos, onde quer que estejam, para o seu Reino. Deus é quem oferece a possibilidade de participação no seu Reino, independentemente dos méritos de cada um, pois Deus não quer que ninguém que Ele criou se disperse ou se perca (cf. Jo 6,39; 10,28; 17,12). Em que consiste a justiça própria de Deus? Em amar sem distinção e sem limite. De algum modo, e em relação aos outros que nos precederam, todos nós somos operários da undécima hora. A verdade é que o modo de Deus agir revoluciona nossa escala de valores (vv.13-16). A igualdade do que cada um recebe ressalta a graça extraordinária feita por Deus aos pecadores. Aos olhos de Deus, o verdadeiro salário é ouvir o convite e ser admitido à sua vinha. O amor de Deus é para todos; Ele não faz acepção de pessoas. Da alegria da salvação ninguém está excluído.

  • Liturgia Diária 16/08

    Dia 16 - terça-feira: Ez 28,1-10; Sl (Dt 32); Mt 19,23-30. Em continuidade com o episódio anterior, o evangelho de hoje apresenta que, de fato, a riqueza pode se constituir em um obstáculo intransponível para entrar na comunhão com Deus. A preocupação desordenada com o ter entrava a liberdade e impede a pessoa de confiar e depender unicamente de Deus. Nesse sentido, o ter pode ser e é expressão da idolatria. Frente à intervenção dos discípulos – quem poderá salvar-se? (v.25) - Jesus responde que tudo está remetido à misericórdia divina, pois a salvação é dom de Deus. Ademais, para Deus nada é impossível (cf. Lc 1,37). A teologia da retribuição contaminou desde há muito tempo a relação do povo com seu Deus e impediu o povo de reconhecer a generosidade e gratuidade da ação de Deus na história humana. A pergunta de Pedro a Jesus que “haveremos de receber?” uma vez que deixamos tudo para te seguir (cf. v.27), é expressão da teologia da retribuição. A resposta de Jesus aponta para a escatologia (para o que é definitivo, último) e promete, para os que permanecerem fiéis no seu seguimento, a participação no juízo do povo eleito (cf. v.28; 25,31). O cêntuplo prometido é o reconhecimento de Deus do valor inestimável de cada pessoa e a participação dela na vida divina. É preciso insistir: cada um deve se esforçar, segundo suas possibilidades, por entrar no reino dos céus. No entanto, a salvação não é medida por esse esforço, pois ela é dom de um Deus que torna possível o que aos olhos do mundo parece impossível.

  • Liturgia Diária 15/08

    Dia 15 - segunda-feira: Ez 24,15-24; Sl (Dt 32); Mt 19,16-22. A vida eterna não é prêmio, nem fruto de um esforço humano, ela é dom de Deus (Jo 17,2-3) e, como tal, precisa ser recebida. A pessoa anônima que se aproxima de Jesus, símbolo do desejo profundo do coração de cada um de nós, apresenta a ele uma questão eminentemente religiosa: o que devo fazer de bom para possuir a vida eterna? (v.16). Na concepção dela é fazendo algo que se alcança a vida eterna. A pergunta pelo “algo” a ser feito recebe de Jesus uma resposta diferente da que a pessoa esperava: Deus é Bom; Deus é a fonte de toda bondade. Se alguém pode fazer algo bom é porque Deus, que é Bom, está na origem de todo verdadeiro bem e da bondade que existe na pessoa. A vida eterna não é merecimento pelo cumprimento irrepreensível da Lei. A Lei é o caminho para a vida de liberdade (cf. Dt 30,15-16). A Lei é um meio, mas o cumprimento dos mandamentos não é suficiente para garantir a alguém a vida eterna. É preciso desapego, mudança de mentalidade, pois a vida eterna não se compra, nem é objeto de barganha ou retribuição. A tristeza que se abateu sobre aquela pessoa é o reconhecimento de seu apego aos bens. O texto não nos diz se no tempo posterior ela foi capaz de optar pela “perfeição”. Esse silêncio do texto oferece ao leitor(a) a oportunidade de ele(a) mesmo(a) se colocar no lugar daquela pessoa anônima cujo rosto é o do(a) leitor(a) do evangelho e responder à exigência própria do seguimento de Jesus Cristo. A vida autenticamente cristã depende dessa resposta e dessa atitude de desapego.

  • Liturgia Diária 14/08

    Dia 14 – 20º Domingo do Tempo Comum: Jr 38,4-6.8-10; Sl 39(40); Hb 12,1-4; Lc 12,49-53. O trecho do evangelho desse domingo é desconcertante e pode facilmente nos induzir a erro de interpretação. Todos nós desejamos paz! Talvez nós pensemos: eu não imaginava ouvir de Jesus esta frase: Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Ao contrário, eu vos digo, vim trazer divisão (v.51). Ele não é o “príncipe da paz?” Comecemos por dizer que Jesus não promove a guerra nem tampouco a destruição. A linguagem do evangelho, muitas vezes enigmática para nós que vivemos no século 21, precisa ser esclarecida para fazer emergir o seu verdadeiro sentido. "Fogo" (v.49) refere-se ao batismo de Jesus (cf. Lc 3,16). No texto do batismo o termo "fogo" é utilizado para explicar a natureza da ação do Espírito Santo, a saber, purificação e julgamento. A morte de Jesus é também considerada como um batismo (cf. v.50) que dividirá e dispersará os seus próprios discípulos. Na morte de Jesus os homens serão julgados e eles mesmos reconhecerão a sua iniquidade (Lc 23,48). A lealdade a Jesus está acima de qualquer compromisso humano com a defesa de interesses particulares, escondidos, muitas vezes, atrás do argumento da defesa de Deus. Jesus não promove a guerra nem a discórdia. Os que o rejeitam é que perseguem e matam os que o aceitam. É preciso que o discípulo tenha consciência de que os laços afetivos verdadeiros, construídos no amor e tão caros para a saúde da humanidade, não podem ser impedimento, nem servir de coação, ao seguimento de Cristo e a uma vida segundo o Espírito para quem, livremente, adere à vocação cristã. É preciso liberdade e desapego. Pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Ao contrário, eu vim trazer a divisão. Trata-se da constatação de uma realidade: os que aceitam a palavra do Senhor e, livremente o seguem assumindo o evangelho como norma de vida e a hostilidade dos que não querem escutar a palavra de Deus e se apõem a ela. Como nem todos fazem a mesma escolha, a divisão é consequência dessa diferença. O reconhecimento da situação do conflito nos leva a mediá-lo mantendo viva a caridade e renunciando a qualquer tipo de violência que ameaça a vida e a dignidade da pessoa.

  • Liturgia Diária 13/08

    Dia 13 – sábado: Ez 18,1-10.13.30-32; Sl 50(51); Mt 19,13-15. Não é a primeira vez que as crianças são mencionadas no evangelho segundo Mateus. No discurso sobre a Igreja, uma criança é símbolo do próprio Cristo, servo dos servos, e, ao mesmo tempo, símbolo dos que se sentem desprezados e tentados a abandonar a fé os quais devem ser objeto do cuidado preferencial dos outros membros da comunidade (18,1-5). Aqui, no trecho de hoje do evangelho, as crianças são símbolos daqueles que vivem a sua existência na dependência a Deus, do mesmo modo que as crianças dependem de seus pais para o seu crescimento e amadurecimento. O gesto de imposição das mãos pode significar tanto cura como benção, ou, ainda, as duas coisas. O relato opõe a atitude de Jesus à atitude dos discípulos. A atitude dos discípulos é compreensível se levarmos em conta a mentalidade da época: as crianças não devem importunar os adultos, sobretudo, um Mestre como Jesus. Mas, ninguém pode, segundo Jesus, estabelecer uma barreira que impeça não importa quem de se aproximar dele. As crianças são membros do povo de Deus (cf. Js 8,35) e como tais devem ser acolhidas. Podemos tirar do episódio uma dupla mensagem: em primeiro lugar, o Reino de Deus se abre para os que se sabem “pequenos”; em segundo lugar, e como consequência do anteriormente dito, a Igreja deve se abrir para acolher indistintamente a todas as pessoas, uma vez que Deus não faz distinção de pessoas.

  • Liturgia Diária 12/08

    Dia 12 - sexta-feira: Ez 16,1-15.60.63; Sl (Is 12); Mt 19,3-12. Alguns fariseus buscam pegar Jesus numa armadilha a todo tempo. A perícope sobre o repúdio da mulher se encontra num contexto de controvérsia. A questão é posta a Jesus para testá-lo, para verificarem o quanto Jesus conhece da lei de Moisés e como ele a interpreta e a põe em prática. A questão aproveita a lacuna ou omissão de Dt 24,1, uma vez que referido texto não explicita o que se deve entender por “algo vergonhoso” pelo qual se poderia repudiar a esposa: Quando um homem tiver tomado uma mulher e consumado o matrimônio, mas esta, logo depois, não encontra mais graça. Por essa razão, mesmo entre os fariseus, havia discussões e desacordos no que se refere aos motivos legítimos do repúdio. A resposta de Jesus é absolutamente clara: não é permitido o divórcio, salvo em caso de “união ilegítima”. O termo grego pornéia pode referir-se tanto a uma conduta sexual inadmissível por parte da mulher, como referir-se a um matrimônio em que o grau de parentesco tenha sido interditado por Lv 18, 6-18. Quanto à razão da concessão de Moisés, concessão com a qual Jesus não consente, é a “dureza de coração”, a saber, a incapacidade de compreender e pôr em prática os mandamentos de Deus e a incapacidade de amar verdadeiramente alguém. Para Mt 5, 32, o divórcio equivale ao adultério. Quem compreende o projeto original de Deus, é curado da dureza do coração, luta por um verdadeiro amor e considera o seu matrimônio algo intocável.

  • Liturgia Diária 11/08

    Dia 11 - quinta-feira: Ez 12,1-12; Sl 77(78); Mt 18,21-19,1. O evangelho de hoje é o último trecho do discurso sobre a Igreja. O tema é o perdão que deve ser oferecido sempre. À pergunta de Pedro, porta-voz do grupo dos discípulos, sobre quantas vezes se devia perdoar o irmão reincidente no seu pecado, Jesus responde com a parábola do devedor implacável ou sem compaixão. Pedro certamente pensava ser generoso ao indicar a cifra sete como número de vezes para perdoar alguém. Mas, corrigindo Pedro, Jesus diz "setenta vezes sete". Isso significa que não se pode pôr limite à disposição de perdoar. As cifras "sete" e "setenta vezes sete" evocam Gn 4,24, onde é questão de vingança a respeito de Caim e de Lamec. À cadeia de vingança e violência, Jesus opõe a fraternidade disposta a perdoar sem limite. A razão do porquê não se deve colocar limite ao perdão é dada na parábola do devedor sem compaixão. O sentido de toda a parábola se encontra na boca do próprio monarca: o devedor de uma soma incalculável devia perdoar seu semelhante, que lhe devia uma quantia irrisória, porque ele mesmo tinha sido beneficiado pela generosidade do rei (vv.32-33). De certo modo, o servo sem compaixão fere seu senhor, pois a sua atitude impiedosa em relação ao seu semelhante demonstra a sua total incompreensão em relação à graça que ele mesmo recebeu. A lição é clara: é necessário perdoar de coração o irmão, como Deus perdoa generosamente a cada um.

  • Liturgia Diária 10/08

    Dia 10 - quarta-feira – São Lourenço: 2Co 9,6-10; Sl 111(112); Jo 12,24-26. Jesus está em Jerusalém para a festa da Páscoa (cf. 12,12); aproxima-se o tempo da sua glorificação (cf. Jo 12,23) que se realizará por sua paixão e morte na cruz. A imagem do grão de trigo ajuda a compreender o caminho de glorificação de Jesus. Para produzir fruto o grão de trigo tem que cair na terra; esta queda na terra é a condição da fecundidade da semente. A paixão e morte de Jesus não foram em vão; elas garantiram a salvação e a redenção de todo o gênero humano. Aqui, em João, o grão é identificado ao próprio Cristo, à diferença das parábolas do Reinos dos céus (Mt 13,3ss) em que a semente é identificada com a Palavra de Deus. Na verdade, segundo a teologia joanina, Jesus é a palavra encarnada de Deus. Com esta pequena parábola do grão de trigo que cai na terra, Jesus dá sentido à sua paixão e morte: é para “produzir muito fruto” (cf. v.20). O fruto de sua glorificação é a vida do mundo (cf. Jo 6,51). O que se espera do discípulo é sua identificação com o Mestre (cf. Mt 10,24-25). Esta identificação impõe ao discípulo aceitar livremente a vida proposta por Jesus. Neste sentido, o caminho de glorificação de Jesus é o caminho que o discípulo deve aceitar percorrer (cf. v.26; Jo 13,12-15). A vida verdadeira está no desapego das coisas deste mundo e no desprendimento da própria vida (cf. v.25). É o apego à vida que gera o medo de perdê-la. A vida brota do grão de trigo que cai na terra. Esta entrega é fruto do amor; ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15,13).

  • Liturgia Diária 09/08

    Dia 9 - terça-feira: Ez 2,8-3,4; Sl 118(119); Mt 18,1-5.10.12-14. O trecho do evangelho de hoje é parte do discurso eclesiológico. O discurso sobre a Igreja é constituído de uma série de orientações de Jesus aos discípulos; tais orientações visam dar à comunidade, em primeiro lugar, frente ao judaísmo rabínico, os traços característicos da comunidade cristã. Essas orientações, contudo, não se encerram num momento histórico específico, ao contrário, são exigências para a Igreja de todos os tempos. A pergunta dos discípulos a Jesus revelam as disputas internas à comunidade cristã: Quem é o maior no Reino dos céus? (v.1). A resposta de Jesus poderia ser compreendida e dita nesses termos: o maior é o menor, aquele que serve. O serviço é um traço característico do discípulo e da comunidade cristã. Mas para que seja um modo de vida, é preciso conversão, mudança radical de mentalidade. A “criança”, aqui, é símbolo do próprio Cristo que se fez servo de todos e que, sendo de condição divina, assumiu plenamente a nossa humanidade (Fl 2,6-7a). Os “pequenos” são os que se sentem desprezados (v.10) e que são tentados a abandonar a fé. Por eles é exigida da comunidade cristã uma atenção especial para que ninguém se perca, a exemplo do pastor que incansavelmente vai atrás da ovelha que se perdeu até encontrá-la. Na vida cristã, a ideologia do “cada um por si”, a indiferença egoísta, não pode ser aceita como válida, nem muito menos motivar qualquer decisão. Na Igreja, cada membro é importante e deve ser tratado com o mesmo cuidado com que Deus mesmo cuida de cada um de nós. Falando da Igreja, Paulo escreve: os membros do corpo que parecem mais fracos, são os mais necessários, e aqueles que parecem menos dignos de honra do corpo, são os que cercamos de mais honra ... Deus dispôs o corpo de modo a conceder maior honra ao que é menos nobre, a fim de que não haja divisão no corpo, mas os membros tenham igual solicitude uns com os outros (1Co 12,22-25).