• Padre Carlos Alberto Contieri, SJ

Liturgia Diária 06/08

Dia 6 – sábado – Transfiguração do Senhor: Dn 7,9-10.13-14; Sl 96(97); Lc 9,28-36.


O relato da transfiguração é uma prolepse da ressurreição de Jesus Cristo e uma ocasião para a revelação, da parte do Pai, da filiação divina de Jesus. É sobre uma montanha que Jesus sobe com três dos seus discípulos. A montanha é, para a tradição bíblica, o lugar da revelação de Deus e de seus desígnios (cf. Ex 3,1ss).


Enquanto rezava o seu rosto mudou de aparência... (v.29). O que faz com que o rosto de Jesus seja transfigurado, na sua oração, é que ele mantém a sua face voltada para o Pai; é o Pai que agindo em Jesus faz resplandecer nele a sua face. É a comunhão de Jesus com o Pai que revela o mistério de Jesus como Filho. A ação de Deus na vida de Jesus tem um reflexo luminoso que atinge todo o seu ser, e que tem incidência no corpo, através do qual a pessoa é reconhecida na sua identidade pessoal e inalienável.


A sugestão de Pedro (cf. v.33) cai no vazio, pois é Deus que os envolve na nuvem, isto é, os faz participar da intimidade divina. O medo que eles sentem corresponde à entrada na presença de Deus; eles sabem que ver Deus é morrer (cf. Jz 6,23; 13,22; Ex 33,20). Na verdade, diz o evangelista, Pedro não sabia o que estava dizendo (v.33). O que Pedro não compreende é que a verdadeira tenda, o lugar da presença de Deus é Jesus. A voz que sai da nuvem e interpreta o acontecimento (cf. v.35) retoma a voz por ocasião do batismo (3,22; cf. Is 42,1), à diferença que dessa vez a declaração do Pai se abre aos discípulos: Jesus é um profeta poderoso em gestos e palavras - trata-se de escutá-lo. A comunidade dos discípulos é uma comunidade em que a escuta de Jesus tem prioridade.