• Padre Carlos Alberto Contieri, SJ

Liturgia Diária 03/08

Dia 3 - quarta-feira: Jr 31,1-7; Sl (Jr 31); Mt 15,21-28.


O trecho do evangelho de hoje tem um caráter apologótico, isto é, trata-se de justificar a abertura da mensagem cristã aos pagãos e da admissão deles à mesa da eucaristia (cf. v.26).


Jesus vai para a região de Tiro e de Sidônia, região pagã. Quem diz pagão, diz impuro, segundo a mentalidade dos judeus do tempo de Jesus. Assim como os discípulos na barca, ameaçados pelas ondas e o vento contrário, gritam de medo (cf. 14,26) e Pedro suplica: Senhor, salva-me (14,30), a mulher cananeia grita: Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim (v.22). O seu grito é uma verdadeira profissão de fé no Messias, descendente de Davi. A razão de sua súplica veemente é sua filha “atormentada por um demônio”. Jesus nada diz, ele silencia (cf. v.23). O silêncio de Jesus abre espaço para a intervenção dos discípulos que desejam que Jesus a despeça, pois ela gritava atrás deles (cf. v.23). A resposta de Jesus (v.24) é coerente com as instruções do discurso sobre a missão (cf. 10,6). Mas, aqui, não é senão um recurso que valoriza a fé da Cananéia, que continua a gritar: “Senhor, socorre-me!” (v.25). Jesus se admirou da fé dela: mulher, grande é a tua fé (v.28). Ao contrário da cidade de Nazaré, protótipo da rejeição de Israel, onde Jesus não pôde realizar muitos milagres por causa da incredulidade dos nazarenos (cf. 13,58), a fé da mulher pagã permite a Jesus realizar o que ela suplica. A fé abre para os pagãos as portas do Reino dos céus. É a fé que permite à mulher cananeia ver e reconhecer Jesus como o Salvador de toda a humanidade.