• Padre Carlos Alberto Contieri, SJ

Liturgia Diária 02/08

Dia 2 - terça-feira: Jr 30,1-2.12-15.18-22; Sl 101(102); Mt 14,22-36.


Jesus é um Messias itinerante, deslocando-se de uma margem à outra do mar, de uma aldeia a outra e de uma região a outra. Passa por todos os lugares, visita todas as situações em que a vida humana acontece. Esse episódio de Jesus caminhando sobre o mar encontra-se também em Marcos e João, com a particularidade própria a cada evangelista (Mc 6,45-52; Jo 6,16-21). O episódio tem um forte significado simbólico, é o modo de afirmar a divindade de Jesus, pois no Antigo Testamento, é Deus quem domina a fúria do mar (cf. Sl 89,9-10). Para o imaginário do homem bíblico o mar é símbolo do mal e da morte. Frente ao mar o ser humano se sente diante de uma força indomável. Recolhido em sua oração, ao longe Jesus vê a dificuldade da travessia em razão do vento contrário. Começando o amanhecer, Jesus vai ao encontro deles, caminhando sobre as águas (cf. Jó 9,8). O Senhor não é alheio às dificuldades da vida humana, e nenhuma súplica do ser humano cai no vazio. O Pastor de Israel, que sustenta o seu povo pela palavra e por sua vida, é aquele que, como Deus, tem o poder sobre o mal e a morte. Diante dele o mal não triunfa e a agitação e o medo são vencidos por uma Palavra e uma presença que transforma: Coragem, sou eu! (v.27). Como nós precisamos em meio às dificuldades da vida, que se parecem a uma forte tempestade, confiar na proximidade de Deus expressa nessa palavra de encorajamento que apela à confiança! A falta de fé, no entanto, impede de reconhecer no episódio dos pães a força e o sustento para viver com fé o tempo da adversidade e da ameaça do mal, sempre à espreita. A intervenção de Pedro é própria a Mateus e visa mostrar o seu itinerário de fé: Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro caminhando sobre a água! (v.28). Ao convite do Senhor – Vem! - Pedro fraqueja e afunda no mar de sua incredulidade; mas, o Senhor o salva de seu próprio medo.


Simão Pedro, como nós, no processo de adesão incondicional ao Senhor, experimenta a ambiguidade entre a fé e a incredulidade, entre a confiança no Senhor e o apego às suas próprias forças e mentalidade. Haveremos sempre de, ao menos, estender a mão para sermos resgatados pelo Senhor da vida.