• Padre Carlos Alberto Contieri, SJ

Liturgia Diária 01/08

Dia 1 - segunda-feira: Jr 28,1-17; Sl 118(119); Mt 14,13-21.

De Nazaré Jesus volta para as margens do Mar da Galileia e de lá para um lugar deserto e afastado (cf. v.13). Essa observação é importante: Jesus toma distância das muitas atividades. Talvez a notícia da morte de João Batista por Herodes, tenha exigido de Jesus repensar sua missão. E ainda que o texto não o diga, nós podemos considerar que a escolha de um lugar deserto e afastado era para rezar; sua oração é sempre apostólica, oração de acolhida da ação do Espírito, pois o seu alimento é fazer a vontade daquele que o enviou (cf. Jo 4,34). As multidões procuram incansavelmente Jesus; precisam dele, da sua presença e da sua palavra. Jesus não se furta receber quem quer que o procure; ele se deixa encontrar. Já ao sair da barca, Jesus vê a multidão. Esse olhar que penetra as entranhas do ser humano e as situações em que ele está inserido, desperta em Jesus compaixão, toca nas entranhas do Senhor provocando sair dele uma “força vital” que cura a todos dos seus males. A compaixão é um sentimento divino que leva Jesus a socorrer as pessoas em suas necessidades. Depois de um longo período de permanência da multidão junto a Jesus, já ao entardecer, a sugestão dos discípulos de despedir a multidão não aparece como surpreendente, é até mesmo razoável e questão de bom senso: o lugar é distante, a hora avançada e não há o suficiente para alimentar tanta gente (cf. v.15). Jesus, no entanto, se recusa fazê-lo e dá aos discípulos aparentemente uma tarefa impossível: Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer (v.16). É ocasião para que o próprio leitor do evangelho compreenda que o alimento do povo que o Cristo reúne é de outra natureza. O texto da multiplicação dos pães tem uma forte conotação eucarística. A existência terrena e a vida do Senhor entregue para a salvação de todos é o alimento espiritual que sustenta o povo de Deus em marcha. O alimento material remete ao alimento espiritual. Esse é o alimento que sustenta abundantemente; não se compra nem se vende é dado gratuitamente para a vida do mundo. Ao comprar do v.15, Jesus apresenta o “dar de comer” (v.16) como meio de manter a multidão junto a eles. Todos precisam comer, mesmo os que não podem comprar.