O órgão do Pateo do Collegio

Em 21 de Maio de 2002, foi inaugurado o órgão de tubos na Capela Beato José de Anchieta – Pateo do Collegio. Não se tratava de um órgão novo, mas sim de um órgão Tamburini de um teclado que, em 1950, foi instalado na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, juntamente com o instrumento maior, de três teclados, que ainda lá está. De fato, o conjunto era composto por três consolas separadas e localizadas em diferentes pontos da igreja. O órgão principal; com três teclados, instalado na galeria do coro; o órgão coral colocado na tribuna sobre a porta lateral, perto do altar mor contava com duas consolas: uma colocada junto aos tubos na tribuna e a outra colocada no piso da nave central, à direita de quem entrava. Este órgão menor ficava no coro lateral da igreja e funcionava em conjunto com o grande órgão, colocado no coro sobre a porta central da igreja. Tinha um manual, pedaleira e 652 tubos.

Em 1978, o órgão menor foi vendido para a Igreja de Nossa Senhora Aparecida de Vila Barcelona, em São Caetano do Sul, onde foi instalado e modificado por José Carlos Rigatto. Ganhou mais um teclado manual, teclados de madeira (como os de um cravo) e mais tubos, ficando com um total de 1018 tubos. O segundo manual acrescentado tinha tubos de procedência alemã. Os registros originais Tamburini ficaram distribuídos entre o primeiro manual e pedaleira. Nesta igreja, o órgão funcionou bem por alguns anos, contando com concertos realizados pela Associação Paulista de Organistas. Porém, na década de 90 começou a ser deixado de lado e os dirigentes da igreja manifestaram vontade de vender o instrumento.

No outro lado da história estava a Associação Paulista de Organistas que, desde 1999, vinha incentivando o Centro Cultural do Pateo do Collegio a adquirir um órgão de tubos. Com uma atividade cultural de concertos já sedimentada, a Capela precisava de um instrumento à altura das apresentações corais e instrumentais ali realizadas. O órgão, colocado à venda pela igreja de São Caetano, foi comprado pelos jesuítas com verba do Fundo Nacional de Cultura do Ministério da Cultura.

Desmontado entre 2001 e 2002, o instrumento foi restaurado e instalado na Capela por Márcio Rigatto, da Família Artesã Rigatto e Filhos, de São Paulo. Os trabalhos duraram seis meses. A consola e pedaleira originais Tamburini foram restauradas; os teclados e o painel de registros eram da montagem em São Caetano.

O instrumento, com tração eletrificada, ficou com a seguinte disposição na instalação no Pateo do Collegio:

 

Disposição fônica (2002-2012)

Pedal

Subbaixo 16´

Principal 8´

Bordão 8´

Baixo Coral 4´

I Manual

Principal largo 8´

Principal 8´

Bordão 8´

Dulciana 8´

Oitava 4´

Ripieno 5 filas

II Manual

Flauta 8’

Viola 8’

Flauta 4’

Picollo 2’

Cornet 2 filas

 

A partir de 2008, quando assumiu o posto de Organista Titular o músico Felipe Bernardo, o órgão passou a ser novamente utilizado na liturgia, sendo parte integrante do dia a dia no centro de São Paulo nas missas do meio dia. Em 2009, Felipe também assumiu as funções de Mestre de Capela, sendo responsável pela instituição de um coro e um novo conceito musical na liturgia. Com isso, o órgão também passou a ser parte integrante da Comunidade do Pateo do Collegio.

Em 2011, após decisão conjunta entre o organista e o diretor, o instrumento passou por uma nova modificação: foram acrescentados 3 novos registros, novos acoplamentos e um painel novo na consola;

No II Manual foram acrescentados um Oboé 8’e uma Vox Celestis, ambos de origem alemã, seguindo a estética sonora do II Manual. O registro Picollo 2’se transformou em Quinta 2 2/3 no I Manual. Em seu lugar entrou um Principal 2’, mais brilhante.

Esta reforma e ampliação foi executada pelo Sr. José Carlos Rigatto.

Em 2012, a manutenção passou aos cuidados dos mestres organeiros Juan Weinhold e Alejandro Galli, de Buenos Aires – Argentina. Quando estes organeiros assumiram o órgão foi feito um intenso trabalho de harmonização e afinação do instrumento. Isto adequou acusticamente o órgão na Capela, além de corrigir problemas técnicos e sonoros.

O Pateo do Collegio acredita que o órgão de tubos atua de forma penetrante para preservar um referencial histórico e cultural atualmente esquecido na maioria das Igrejas brasileiras, democratizando assim a música instrumental, sacra e erudita ao público em geral, além de incentivar novos estudantes deste instrumento tão complexo e belo.

 

Atual disposição fônica do instrumento (2012-)

Pedal

Subass 16’

Principal 8’ (Fachada)

Bordão 8’

Oitava 4’

Oboé 8’ (II)

Oboé 4’ (II)

I-Ped

I Super –Ped

II-Ped

 

I Manual

Diapasão 8’ (Fachada)

Principal 8’

Bordão 8’

Dulciana 8’

Oitava 4

Quinta 2 2/3 (2011)

Ripieno

II-I

I-Super

II-I Sub

II-I Super

 

II Manual

Flauta 8’

Viola 8’

Vox Celeste (2011)

Flauta 4’

Oboé 8’ (2011)

Principal 2’ (2011)

Cornet 2f.

Trêmulo

Anulador – Oboé

 

Crescendo

Expressão (II)

3 Combinações livres

5 Combinações fixas

 

Referências:
KERR, Dorotéa. Catálogo de órgãos da Cidade de São Paulo. São Paulo: Editora UNESP, 2001.
KERR, Dorotéa. Revista Caixa Expressiva – Publicação semestral da Associação Brasileira de Organistas (ABO) – Ano VI – N. 11, 2002.

 

 


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