TERÇA-FEIRA V DA QUARESMA

Exemple

Textos: Nm 21, 4-9; Sl 101(102); Jo 8, 21-30.

 

A cruz de Jesus é símbolo do seu imenso amor até o fim (cf. Jo 13,1) e, ao mesmo tempo, ela é o resultado da rejeição da mensagem e da pessoa de Jesus por parte dos judeus. Esse tema da rejeição já se encontra antecipado no prólogo do quarto evangelho (1,5.10.11). Esse é, exatamente, o pecado dos judeus denunciado por Jesus: a rejeição de sua própria pessoa e de sua missão, assim como de sua origem divina. O pecado está em não acreditar em Jesus, em se fechar à verdade de Deus. Mais ainda, a afirmação de Jesus sobre o pecado de seus opositores declara, de certa forma, inútil todo o sistema religioso judaico. Sem a aceitação da salvação em Jesus Cristo, não pode haver profunda e verdadeiramente a purificação e o perdão como se pretendia com a festa anual de yom kippur e todos os demais ritos e festas da religião de Israel. O apego às coisas terrenas e às tradições humanas impede de compreender o mistério de Deus revelado em Jesus Cristo. Jesus não fala em se matar, como suspeitavam os seus opositores; mas serão eles que matarão o Filho de Deus. É na cruz, no entanto, que a divindade de Jesus, paradoxalmente, se manifestará. Na glória da cruz a comunhão entre o Pai e o Filho aparecerá sem sombra. Apesar de toda rejeição e abandono, inclusive dos próprios discípulos, o Pai estará sempre com seu Filho, permanecerá com ele na paixão e na morte: Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é do seu agrado (v. 29).

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 


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