TERÇA-FEIRA II DA QUARESMA

Exemple

Textos: Is 1, 10.16-20; Sl 40(50); Mt 23, 1-12.

 

O trecho do capítulo primeiro do livro do profeta Isaías nos situa no século VIII a.C. O texto é advertência e apelo à conversão dirigidos à Sodoma e Gomorra, ícones das cidades perversas (cf. vv. 16-17). Um dos frutos mais importantes da verdadeira conversão é a obediência a Deus (cf. v.19). É da obediência a Deus que emana todo verdadeiro bem; é da escuta verdadeira e da determinação livre e deliberada de caminhar segundo os mandamentos de Deus que permite receber o perdão de Deus como dom de sua infinita misericórdia. Não importa qual seja nosso pecado, Deus sempre oferece a oportunidade do perdão e da reconciliação. O nosso Deus é um Deus “sempre pronto a perdoar”. E nós estamos dispostos a viver segundo o amor de Deus?

Todo o capítulo 23 de Mateus é uma dura crítica de Jesus aos escribas e fariseus em razão da hipocrisia deles. Eles pretendem que o ensinamento que realizam sobre a Lei é feito sob a autoridade de Moisés, isto é, que ele traduz fielmente o espírito e o sentido da Lei e, em consequência, o modo de praticá-la. No entanto, o comportamento deles não corresponde à Lei que eles ensinam: eles falam e não praticam (v. 3). Há uma distância entre o que eles ensinam e o que eles fazem. O modo como eles ensinam e fazem praticar os preceitos equivale a um fardo pesado posto sobre os ombros dos outros, fardo que eles mesmos não carregam. A religião que eles praticam é hipocrisia, pura encenação, duplicidade, expressão da vaidade, inclusive religiosa, que encerra o indivíduo em si mesmo; o coração deles não está no que eles fazem, pois, na verdade, eles buscam serem vistos, reconhecidos e elogiados pelos homens (v.5). Eles, de fato, não estão a serviço da Palavra de Deus que eles ensinam e obrigam a praticar (vv. 2-3a), mas a serviço de si mesmos. A hipocrisia faz com que eles busquem os seus próprios privilégios, esquecendo-se da misericórdia a que estão obrigados. Para a comunidade cristã, a hipocrisia deve ser rejeitada veementemente, e o comportamento dos escribas e fariseus não pode se constituir em norma de conduta para os que desejam seguir Jesus. Dos discípulos de Cristo é exigido um comportamento totalmente diferente, enraizado na própria vida e no ensinamento de Jesus: o Filho do homem veio para servir e dar a sua vida como resgate por muitos (Mt 20,28). A vida cristã, não o esqueçamos, é um serviço a Deus e aos nossos semelhante.

P. Carlos A. Contieri, SJ.

 


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