SEXTA-FEIRA VIII DO TEMPO COMUM

Exemple

Textos: 1Pd 4, 7-13; Sl 95(96); Mc 11, 11-26.

 

À primeira vista, o episódio da figueira amaldiçoada por Jesus causa certa estranheza ao leitor, pois parece mais um capricho de pessoa mimada. Marcos observa que não era tempo de figos (cf. vv. 11-13b). Essa observação leva a buscar o significado do gesto de Jesus numa outra direção. Vale observar, pois é importante, que Jesus está ensinando os seus discípulos, como se pode concluir do v. 14b. O episódio pode ser caracterizado como sendo uma ação simbólica, ao estilo dos grandes profetas do Antigo Testamento. Qual é, então, o conteúdo do ensinamento de Jesus aos discípulos, ao qual a ação simbólica é um apoio? O episódio está dividido em duas partes: a maldição (vv. 12-14) e a realização da maldição (vv. 20-25). Entre essas duas partes, há o relato da expulsão dos comerciantes do templo (vv. 15-19). O tema de todo o conjunto literário é o “fruto”: Jesus procura o fruto na árvore cheia de folhagens e não o encontra; vai ao templo e não encontra o fruto que esperava encontrar, a saber, um lugar de oração. A figueira, entre outras árvores é símbolo do povo de Deus (cf. Jr 8,13; Os 9,10), e do povo de Deus que não deu frutos (cf. Os 9,16; Mq 7,1; Ez 17,24; ver tb. Lc 13,6-9). Pode simbolizar, ainda, a hipocrisia: tem folhagens, mas não dá frutos. Seja como for, a ação simbólica de Jesus serve de preparação para os discípulos para que eles compreendam o gesto de Jesus de purificar o templo.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 


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