SEXTA-FEIRA V DA QUARESMA

Exemple

Textos: Jr 20, 1-13; Sl 17(18); Jo 10, 31-42.

 

O texto do profeta Jeremias é um trecho de um conjunto de escritos que denominamos de autobiográficos. Se o profeta se vê caluniado e perseguido pelos seus próprios conterrâneos por causa da palavra que Deus colocou em sua boca, ele também se sente encorajado a continuar falando por inspiração de Deus, pois, ele mesmo o diz: “o Senhor está ao meu lado como um forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cairão vencidos. Por não terem tido êxito, eles se cobrirão de vergonha (Jr 20, 11).

A vida de Jesus é continuamente ameaçada de morte: … pegaram pedras para apedrejar Jesus (v. 31.32.33). Não obstante isso, Jesus persiste no seu caminho para o Pai, na fidelidade à vontade de Deus, que ele tem como sustento de sua vida (cf. Jo 4, 34). A acusação dos judeus contra Jesus é a “blasfêmia” (cf. v. 33). Blasfêmia é falar contra Deus. Ora, quem resiste à mensagem de Jesus e fala contra ele é que blasfema. No capitulo 6, à pergunta da multidão sobre o que fazer para trabalhar nas obras de Deus (v. 28), Jesus responde que há uma questão fundamental que precede todo agir: crer no Enviado de Deus (v. 29). Para os judeus do nosso texto não são as boas obras o objeto da perseguição e das suas tentativas homicidas, mas a blasfêmia. Ora, para Jesus agir e falar estão intimamente unidos. As obras que ele realiza e, definitivamente, o Pai, é que dão testemunho dele. Ainda no capítulo 6, é apontada a dificuldade de os judeus discernirem as obras de Jesus, de reconhecerem nelas sinais, isto é, manifestação do Espírito e da divindade de Jesus, que remetem ao mistério de Deus (cf. v. 26). A causa da rejeição é, na verdade, a falta de fé, apontada no capítulo 9 como “cegueira”. Jesus, é bom notar, não se entrega facilmente nas mãos dos judeus; busca, sem covardia nem medo, preservar a própria vida (cf. 10, 39). A divisão entre os que rejeitam Jesus e os que creem nele, mostra a ambiguidade própria do sinal que, por isso mesmo, precisa ser discernido.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.


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