SEXTA-FEIRA IV DA QUARESMA

Exemple

Textos: Sb 2,1.12-22; Sl 33(34); Jo 7, 1-2.10.25-30.

 

Jesus aceita plenamente o desígnio do Pai, mas não vai ao encontro da morte como quem a procura. Ele evita ser preso pelos judeus que já haviam decidido matá-lo. Jesus tampouco expõe os seus discípulos, razão pela qual, ao menos em determinados momentos, ele evita andar com eles. Pensando conhecer a origem de Jesus, esses anônimos do versículo 25 se equivocam, ignoram os desígnios de Deus e se esquecem de que Deus é surpreendente.  O ensinamento de Jesus no Templo revela, com uma fina ironia, a ignorância deles (cf. v. 28). A verdadeira origem de Jesus é divina (v. 29; cf. 1,1). O hermetismo no qual estão enredados lhes impediu, inclusive, de conhecer verdadeiramente Deus e o seu desígnio. Esta crítica revela a verdadeira razão da ignorância deles: não chegaram, de fato, a conhecer Deus. A oposição passional, diga-se irracional, leva os adversários de Jesus a querer prendê-lo. O livro da Sabedoria antecipa a interpretação: Dizem entre si os ímpios, em seus falsos raciocínios: “Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se Filho de Deus (Sb 2, 1.12-13). Jesus incomoda: sua coerência desconcerta, sua caridade desinstala, sua mensagem põe no centro da lei o amor e a misericórdia, seus gestos curam, sua palavra dá vida e desperta a fé na vida. Toda a sua existência revela o rosto do Pai.  Tudo isso é luz que revela o mal e toda a sua armadilha. Mas, a história relida à luz do mistério de Cristo mostra que o desígnio de Deus tem o seu dinamismo e tempo próprios. O mal não triunfou sobre Jesus, e há de ser vencido também em nós e na nossa história em curso, com a graça de Deus.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.


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