SEXTA-FEIRA II DA QUARESMA

Exemple

Textos: Gn 37, 3-4.12-13.17-28; Sl 104(105); Mt 21, 33-43.45-46.

 

A inveja, a cobiça e o ódio são os temas tanto do trecho do livro do Gênesis como do Evangelho; esses males e vícios estão na origem da tentativa de homicídio de José por parte dos seus irmãos (cf. Gn 37, 4.18-20) e da morte de Jesus (cf. Mt 21, 38-39).

A parábola tem por finalidade fazer um determinado público (discípulos, multidão, opositores de Jesus) compreender uma realidade e uma verdade difíceis de serem aceitas. Ela não é o retrato fiel da realidade, nem se deve buscar nela uma lógica rigorosa, impecável. Ela visa transmitir uma mensagem cujo conteúdo é o mistério de Deus e adequar o comportamento da pessoa de fé ao desígnio salvífico de Deus. No Antigo Testamento, a vinha é símbolo do povo de Deus, povo que Deus criou e escolheu e que Ele cuida com amor (cf. Is 5, 1-7). Entre os membros do povo de Deus, há aqueles que Deus escolheu para, em nome do Senhor, cuidarem e protegerem o povo que a Deus pertence. A parábola dos vinhateiros homicidas denuncia, em primeiro lugar, aqueles que, ao invés de cuidarem do povo, querem se apossar da vinha do Senhor. Para isso, rejeitaram todos os que foram enviados por Deus para alertá-los. É uma menção ao fim trágico de muitos profetas. Em segundo lugar, e esta é a intenção mais importante da parábola, ele faz o leitor compreender que a morte de Jesus foi premeditada e é fruto da inveja, da cobiça e da maldade deliberada (cf. vv. 38-39). Apesar do v. 41, a parábola não possui um juízo condenatório; ela é, isto sim, um forte apelo a reconhecer em Jesus o dom de Deus e a viver em conformidade com este dom e, nele, produzir bons frutos. A inveja e a cobiça trazem em si mesmas uma dinâmica de morte: elas impedem de reconhecer o outro como irmão para considerá-lo como adversário e inimigo.

P. Carlos A. Contieri, SJ.

 


Compartilhe: