SEXTA-FEIRA I DA QUARESMA – A.D. 2016

Exemple

Texto: Ez 18, 21-28; Sl 129(130); Mt 5, 20-26.

No início do sermão da montanha Jesus dá como que um critério a partir do qual a releitura e a prática da Lei devem se apoiar: superação do rigorismo legalista pelo amor, a misericórdia e o respeito pelo outro. Mais adiante, no Evangelho, Jesus, citando Oséias, diz: Ide, pois, e aprendei o que significa: “Misericórdia quero, e não o sacrifício” (Mt 9, 13; cf. Os 6,6). É em Jesus que se vê realizada esta justiça maior que a dos escribas e fariseus, pois ele nos amou até o fim (cf. Jo 13, 1), como Bom Pastor, deu a sua vida por nós (cf. Jo 10, 15.17.18). Ninguém tem maior amor, diz Jesus,  do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15, 13).

No evangelho deste dia, através do mandamento de “não matar”, Jesus explicita como superar pelo amor, pela misericórdia e pelo cuidado com o outro a letra da Lei. Não se trata simplesmente da interdição de tirar a vida de alguém (cf. Ex 20, 3; Dt 5, 7), mas é proibido, na nova lei, depreciar o semelhante dando a ele títulos ofensivos. Não é somente a morte física que é visada na interdição, mas toda ofensa moral cometida contra o irmão (v. 22). Ao discípulo Jesus impõe, ainda, a exigência de tomar a iniciativa no processo de reconciliação. A reconciliação é condição anterior e é exigida para a oferta de um verdadeiro sacrifício. Nós poderíamos dizer, a reconciliação é o sacrifício que agrada a Deus. O esforço de reconciliação requerido e visado nesta antítese é uma explicitação da bem-aventurança da mansidão (5, 4). “Manso” (cf. Sl 37, 11), em hebraico, corresponde a “pobre”, entenda-se, pobre de espírito (cf. 5, 3), isto é, aquele que reconhece e acolhe o Reino de Deus como dom.

No discurso de encerramento do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2015, o Papa Francisco disse: “… a experiência do Sínodo nos fez compreender melhor que os verdadeiros defensores da doutrina não são aqueles que defendem a letra, mas, o espírito; não as ideias, mas, o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão. Isto não significa, de modo algum, diminuir a importância das fórmulas: são necessárias a importância das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus, que não nos trata segundo os nossos méritos e, nem tampouco, segundo as nossas obras, mas unicamente segundo a generosidade ilimitada da sua Misericórdia (cf. Rm 3, 21-30; Sl 129; Lc 11, 37-54)”.

P.Carlos Alberto Contieri, SJ


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