SEGUNDA-FEIRA V DA QUARESMA

Exemple

Textos: Dn 13, 1-9.15-17.19-30.33-62; Sl 22(23); Jo 8, 1-11.

 

A longa história do livro de Daniel apresenta duas ideias fundamentais: o ser humano para satisfazer seus próprios interesses se deixa levar pela inclinação má do coração e é capaz do mal tramando a morte do inocente. Mas, Deus não se deixa enredar nem pela aparência nem tampouco por palavras traiçoeiras; Deus “salva os que nele esperam” (Dn 13, 60).

Jesus é um Rabbi itinerante; onde quer que ele esteja ou passe, ele aproveita para ensinar, inclusive no Templo de Jerusalém (cf. v. 1). O seu modo de viver, de se relacionar com Deus e com as pessoas é, em si mesmo, um ensinamento.  Os escribas e os fariseus procuram sempre armar uma armadilha para terem do que acusar Jesus. A questão posta por eles a Jesus é a da pena capital de apedrejamento para a mulher, anônima para o leitor, surpreendida em adultério (ver: Lv 20,10; Dt 22,22-24). Quem poderia defender aquela mulher? Quem a poderia perdoar e com que argumento? Que esperança para ela? A lei de Deus foi dada por ele a seu povo para proteger a vida e a liberdade. Como tirar, então, a vida de alguém? O tom, evidentemente, é de provocação e desafio. A primeira resposta de Jesus é o silêncio e um gesto simbólico que mostra sua irritação e indignação diante da falta de misericórdia e da dureza de coração (cf. v. 6). Mas, não compreenderam nem se contentaram com o gesto. Diante da insistência deles, Jesus traduz o gesto em palavras que revelam a verdade sombria de cada um: Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra (v. 7). Por isso, eles vão se retirando um a um. A mulher, agora, tem diante de si a vida, somente o Senhor da vida, aquele que tem a “palavra de vida eterna”. A misericórdia venceu a dureza do coração e fez emergir o verdadeiro rosto de Deus. A palavra do Senhor liberta e revela o rosto misericordioso de Deus, oferecendo a possibilidade de uma vida transformada pelo amor (cf. vv. 10-11). Ademais, há um outro pecado, muito mais grave, a saber, a idolatria, considerada um verdadeiro adultério (cf. Ez 16; Os 2). Não há, diante de Deus, para ninguém, fim de linha: Ninguém te condenou? (…) Eu também não te condeno. A misericórdia de Deus não é consentimento com o pecado que desfigura e escraviza o ser humano; ela abre para a pessoa perdoada a possibilidade de uma vida nova: Vai e, de agora em diante, não peques mais (v. 11).

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 

 


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