SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA SANTA

Exemple

Textos: Is 42, 1-7; Sl 26(27); Jo 12, 1-11.

 

Com o trecho do evangelho de hoje, nós entramos na segunda parte do evangelho segundo João denominada de “livro da glória”. A Glória de Jesus Cristo se manifesta na sua cruz, penhor de nossa salvação. A unção em Betânia é interpretada pelo próprio Jesus como antecipação simbólica de sua morte. Para Jesus, é a última semana de sua vida terrestre. Lázaro, Marta e Maria são amigos de Jesus; é na casa deles que Jesus faz uma parada antes de entrar na sua paixão e morte, em Jerusalém. A acolhida, o serviço e o amor dispensados a Jesus naquela casa são traços característicos e indissociáveis da comunidade cristã (cf. Ct 1, 12; 7, 6). A refeição na casa dos amigos é sinal de comunhão; e a evocação do episódio de Lázaro indica que se trata, também da alegria da vida recebida como dom. A unção, Jesus mesmo a interpreta como uma antecipação de sua sepultura. Morte e vida nova são uma prolepse do mistério pascal de Jesus Cristo. Judas é o personagem que entra na história como contraste de todo o acima dito. É tratado negativa e duramente pelo narrador como sendo traidor e ladrão. Mas, há um outro traço de Judas: ele é incapaz de reconhecer e acolher um gesto de pura gratuidade. Talvez, isso o tenha feito traidor. Quem não ama verdadeiramente não conhece a alegria da fidelidade e da lealdade. Quem não é capaz de gestos de gratuidade não é, igualmente, capaz de amar; quem não é capaz de verdadeiro amor, não busca senão o seu próprio interesse, abrindo, assim, a possibilidade de trair, inclusive, o Senhor da vida.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 


Compartilhe: