SÁBADO II DA QUARESMA

Exemple

Textos: Mq 7, 14-15.18-20; Sl 102(103); Lc 15, 1-3.11-32.

 

A pergunta do profeta Miquéias é para a nossa consideração e meditação, conexa estreitamente com o tema do evangelho de hoje: “Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? (…) O que Deus ama é a misericórdia” (Mq 7, 18). O capítulo 15 do evangelho segundo Lucas é constituído por uma sequência de três parábolas de misericórdia. Essas parábolas, são a resposta de Jesus à murmuração dos escribas e fariseus (cf. tb. 5,30): Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles (v. 2). Deus que não faz distinção de pessoas, ama igualmente a todos. Para ele, um vale como se fosse noventa e nove (cf. Lc 15, 4-7).

Não é a primeira vez que o autor do evangelho observa que os escribas e fariseus murmuravam contra Jesus (cf. Lc 5,30). Aqui, como dissemos acima, a murmuração diz respeito à boa acolhida que Jesus dá aos pecadores, inclusive aceitando comer na casa deles. A atitude de Jesus de acolher a todos, inclusive os pecadores, está enraizada no modo como Deus age e cuida das pessoas. O tema da alegria de Deus pela conversão de um único pecador está presente nas três parábolas (vv. 7.10.23-24.31 32). A terra deve imitar o céu: se há alegria no céu pela conversão de um único pecador, deve haver também na terra. Na terceira parábola, a do “Pai misericordioso”, a alegria do Pai contrasta com a atitude de raiva e murmuração do filho mais velho. Tem-se a impressão que a parábola identifica a atitude dos fariseus e dos escribas com a atitude do filho mais velho. O filho mais velho é convidado a vencer o rancor e o ódio para entrar no coração misericordioso do Pai. A acolhida ao filho mais novo não é aceitação do que ele fez; é perdão e oferta de uma nova vida. As parábolas são respostas de Jesus à murmuração dos seus opositores, como já dissemos. Do leitor do evangelho é exigido imitar a atitude do Pai que, incansavelmente, procura quem está perdido e acolhe no seu amor quem se desgarrou e foi encontrado. Deus é rico em amor, amemo-nos uns aos outros como o Senhor nos amou. Acolhendo os pecadores, Jesus é o rosto da misericórdia de Deus.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 


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