QUINTA-FEIRA V DA QUARESMA

Exemple

Textos: Gn 17, 3-9; Sl 105(104); Jo 8, 51-59.

 

A contrapartida da promessa de Deus a Abraão de uma numerosa descendência é a fidelidade ao Deus único e verdadeiro o que implica a renúncia determinada de adorar outros deuses. Processo que não será nada fácil para o povo de Deus. Para nós, em nossos dias, trata-se de uma tentação muito sutil: com bastante facilidade tem-se perdido a referência ao Deus revelado em Jesus Cristo. Percebe-se, cada vez mais, as pessoas organizarem suas vidas prescindo parcial ou completamente dos valores do evangelho, nos quais se exprime a vontade de Deus para todos. Manter-se fiel ao seguimento de Jesus Cristo e ao Deus revelado nele, implica um modo de viver a vida que condiga com a vontade de Deus.

O trecho do evangelho de hoje é a conclusão da controvérsia entre Jesus e os judeus, no Templo de Jerusalém, antes da Páscoa. Guardar a palavra significa pô-la em prática. A palavra do Senhor é um sopro que faz viver. Permitir que essa palavra viva em nós e pô-la em prática é experimentar a vitória da vida sobre toda realidade de morte, que muitas vezes e em diversas situações habita o coração do ser humano. Somente Deus pode fazer viver não obstante as circunstâncias que nos cercam. Pela palavra do Senhor nos é dado o Espírito de vida. No diálogo de Jesus com Nicodemos, ele diz: Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3, 16). Por isso, para o leitor que ouve a crítica dos judeus (cf. vv. 52-53), a conclusão não pode ser outra senão a de que eles blasfemam, ou, no dizer de Jesus, “mentirosos” (v. 55), encerrados na dificuldade de ouvir atenta e detidamente as palavras de Jesus. Em razão dessa verdadeira surdez espiritual, eles fazem um juízo precipitado acerca daquilo que move e orienta toda a vida de Jesus. O nó de toda a controvérsia está no fato de que o filho não busca a própria glória, ao passo que certas pessoas, cristãos e judeus, no interior de sua própria fé e usando-a como justificativa buscam a sua própria glória. Essa busca de si é destrutiva e desagregadora porque tem uma motivação religiosa equivocada. É o Filho que ensina a buscar a glória do Pai, isto é, o rosto misericordioso de Deus.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.


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