QUINTA-FEIRA IV DA QUARESMA

Exemple

Textos: Ex 32, 7-14; Sl 106(105); Jo 5, 31-47.

Deus é o centro da vida de Jesus e todo o Antigo Testamento aponta e é preparação para a vinda do Filho único de Deus – a correta interpretação da Palavra de Deus conduz à fé em Jesus como enviado do Pai, como aquele que realiza a vontade de Deus. Esses são os dois temas fundamentais do trecho do evangelho que nos é proposto. Essa afirmação nos oferece a oportunidade de uma dupla pergunta que nos pode ajudar a aprofundar o mistério de Deus em nós e a autenticidade de nossa vida cristã: Deus é o centro da sua vida? Que lugar a Palavra de Deus ocupa na sua vida cristã?

Como é habitual no evangelho segundo João, os temas desenvolvidos nesse trecho do discurso de Jesus já se encontram antecipados no prólogo (Jo 1, 1-18). O evangelho de João é o desenvolvimento temático do prólogo. As obras de Jesus têm um caráter de sinal; se compreendidas como tal, elas conduzem a Deus. Por isso, as obras dão testemunho de Jesus, pois nelas se revela o desígnio salvífico de Deus. Mas, não somente isso, pois a força do testemunho em favor de Jesus vem do Pai. A vontade do Pai está na origem e sustenta a missão de Jesus. A vontade do Pai é para Jesus verdadeiro alimento (cf. Jo 4, 31-34). Sendo assim, não basta simplesmente escutar Jesus, é preciso deixar-se iluminar e habitar por sua Palavra. A razão, de fato, da resistência dos judeus com relação a Jesus é a falta de fé em Deus (cf. vv. 37-38), e a falta de compreensão do verdadeiro sentido da Escritura (cf. v. 39). Toda a Escritura se destina e encontra seu sentido em Jesus Cristo (cf. v. 45-47). O fechamento nos próprios interesses e o desejo de honras mundanas (cf. v. 44) impedem os opositores de Jesus de reconhecerem que a vida de Deus “in-habita” em Jesus.

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.


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