QUINTA-FEIRA II DA QUARESMA

Exemple

Textos: Jr 17, 5-10; Sl 1; Lc 16, 19-31.

 

O trecho do evangelho de hoje, é uma excelente oportunidade para retomar a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017. A mensagem do Papa tem como base essa “parábola” do pobre Lázaro e do rico.  Nós poderíamos ter presente, na consideração pessoal do texto, os três aspectos apresentados pelo Papa: o outro é um dom, o pecado cega, a Palavra é dom.

A vida eterna é dom de Deus, mas ela é preparada durante a nossa peregrinação terrestre. Para a vida cristã, essa preparação exige a prática do amor fraterno, da misericórdia, da solidariedade, do cuidado em relação aos outros, sobretudo com os que mais sofrem. Contrário a tudo isso é a riqueza que pode cegar e tornar-nos indiferentes ao sofrimento dos nossos irmãos. O Papa Francisco tem alertado que a cultura do bem-estar conduz à globalização da indiferença, como se o sofrimento de nossos semelhantes nada tivesse a ver conosco. Somente da região dos mortos, onde a situação do ser humano é irreversível, é que aquele rico anônimo compreende que a obediência à Lei, em cujo centro está a misericórdia, é o meio de entrar no Reino de Deus (cf. v. 29). Por isso, em vão, ele pede que Abraão envie Lázaro para alertar os seus irmãos. A resposta de Abraão alerta todos os discípulos e, com eles, o leitor do evangelho de que o meio para entrar no Reino de Deus está na meditação da Escritura, a que se deve dar ouvidos. Se este meio é rejeitado, não há nada que poderá demover quem quer que seja de sua má conduta (cf. v. 31). A todos nós Deus oferece os meios para viver a vida de Deus. Estes meios estão consignados na Palavra de Deus que é uma luz para o nosso modo de proceder. A Lei e os Profetas são dados para esta vida em vistas do Reino de Deus.  É preciso dar o tempo necessário, abrir no nosso dia-a-dia o espaço de silêncio para meditar a Palavra de Deus.

O risco dos contemporâneos de Jesus continua sendo o nosso: viver a vida como se Deus não existisse; esquecer que o mandamento do amor ao próximo e ao inimigo nos obriga. Com o Sl 1 nós dizemos: Feliz é todo aquele (…) que encontra seu prazer na lei de Deus e a medita dia e noite, sem cessar (v. 1).

P.Carlos Alberto Contieri, SJ.

 


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