QUARTA-FEIRA XIX DO TEMPO COMUM – A.D. 2016 – São Lourenço

Exemple

Textos: 2Co 9, 6-10; Sl 11(112); Jo 12, 24-26.

 

Jesus está em Jerusalém para a festa da Páscoa (cf. 12, 12). Aproxima-se o tempo da sua glorificação (cf. Jo 12, 23), isto é, da revelação de sua origem divina que se realizará por sua paixão e morte. A imagem do grão de trigo ajuda a compreender o caminho de glorificação de Jesus. Para produzir fruto o grão de trigo tem que cair na terra; esta queda na terra é a condição da fecundidade da semente. A paixão e morte de Jesus, seu sofrimento e sua morte, não foram em vão; elas nos garantiram a salvação e a redenção de todo o gênero humano. Aqui, em João, o grão é identificado ao próprio Cristo, à diferença das parábolas do Reinos dos céus (Mt 13, 3ss) que a semente é identificada com a Palavra de Deus. Na verdade, segundo a teologia joanina, Jesus é a palavra encarnada de Deus. Com esta pequena parábola do grão de trigo que cai na terra, Jesus dá sentido à sua paixão e morte: é para “produzir muito fruto” (v. 20). O fruto de sua glorificação é a vida do mundo (cf. Jo 6, 51). O que se espera do discípulo é sua identificação com o Mestre (cf. Mt 10, 24-25). Esta identificação impõe ao discípulo aceitar livremente a vida proposta por Jesus. Neste sentido, o caminho de glorificação de Jesus é o caminho que o discípulo deve aceitar percorrer (cf. v. 26; Jo 13, 12-15). A vida verdadeira está no desapego das coisas deste mundo e também no desprendimento da própria vida (cf. v. 25). É o apego à vida que gera o medo de perdê-la. A vida brota do grão de trigo que cai na terra. Esta entrega é fruto do amor; “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13).

P. Carlos Alberto Contieri, SJ.

 


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