Visita do Padre Superior Geral dos jesuítas ao Pateo do Collegio

O Pateo do Collegio recebeu a visita do Superior Geral dos Jesuítas, padre Arturo Sosa, na quarta-feira (25/10/17). Durante a visita guiada pelas dependências do Memorial, o Padre Geral da Companhia de Jesus demonstrou tranquilidade e alegria por estar em uma obra tão significativa do ponto de vista histórico para os jesuítas. Berço da fundação da cidade de São Paulo, o Pateo do Collegio foi um dos poucos patrimônios históricos devolvidos à Ordem religiosa depois da sua expulsão do Brasil, em 1759.

Pe. Arturo Sosa comentou que já havia estado nas dependências do Pateo do Collegio em uma breve passagem por São Paulo. No entanto, na ocasião, não teve a oportunidade de conhecer mais de perto o trabalho desempenhado pela obra como um todo.

Memorial da Companhia de Jesus em São Paulo, o Pateo do Collegio é o marco da fundação da cidade, nascida de uma missão dos jesuítas no país. Nesta obra, podemos mergulhar na história da cidade de São Paulo e da Ordem religiosa. Localizado no coração da capital paulista, o complexo dispõe de Igreja, Museu, Biblioteca e Café, além de possuir suas extensões na cidade de Embu das Artes, com o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas e as Oficinas Culturais Anchieta (OCA), projeto social que atende 200 crianças e adolescentes em situação de risco, no contra turno escolar. O Padre Geral agradeceu pessoalmente aos colaboradores da obra.

Ao meio-dia, foi realizada uma celebração eucarística com a presença de jesuítas e leigos de diversas obras da capital e do Brasil. Na ocasião, rememorou-se o dia de Santo Antônio de Santana Galvão, santo franciscano que teve parte de sua formação inicial com os jesuítas e ficou conhecido como o “homem da paz e da caridade”. O Pe. Arturo Sosa destacou a relação fraterna que une jesuítas e franciscanos e lembrou que, ao escolher o nome papal, Jorge Bergoglio, o primeiro Papa jesuíta, optou por ser chamado de Francisco em razão de São Francisco de Assis. O jesuíta lembrou ainda que Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, também se inspirou em Francisco de Assis em seu processo de abdicação dos bens materiais, estar próximo dos menos favorecidos e encontrar Deus em todas as coisas. A visita do Superior Geral ao Memorial encerrou-se com um almoço, para então seguir com sua agenda na capital paulista.

Fonte: Equipe do Pateo do Collegio

Fotos: Núcleo de Comunicação da Província dos Jesuítas do Brasil-BRA/Ir. Lucemberg, S.J.

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A Palavra é um dom. O outro é um dom

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Vaticano, 18 de outubro – Festa do Evangelista São Lucas – de 2016.

Francisco

 

Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/lent/documents/papa-francesco_20161018_messaggio-quaresima2017.html

 

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“Fazei com que se trate de uma festa verdadeira — porque o matrimônio é uma festa — uma festa cristã, e não uma festa mundana! Aquilo que tornará completo e profundamente verdadeiro o vosso matrimônio será a presença do Senhor, que se revela e concede a sua graça.” Papa Francisco

Para maiores informações e esclarecimentos, entre em contato conosco pelo telefone (11) 3105-6899 ou pelo e-mail: pateodocollegio@pateodocollegio.com.br

 

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Em 21 de Maio de 2002, foi inaugurado o órgão de tubos na Capela Beato José de Anchieta – Pateo do Collegio. Não se tratava de um órgão novo, mas sim de um órgão Tamburini de um teclado que, em 1950, foi instalado na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, juntamente com o instrumento maior, de três teclados, que ainda lá está. De fato, o conjunto era composto por três consolas separadas e localizadas em diferentes pontos da igreja. O órgão principal; com três teclados, instalado na galeria do coro; o órgão coral colocado na tribuna sobre a porta lateral, perto do altar mor contava com duas consolas: uma colocada junto aos tubos na tribuna e a outra colocada no piso da nave central, à direita de quem entrava. Este órgão menor ficava no coro lateral da igreja e funcionava em conjunto com o grande órgão, colocado no coro sobre a porta central da igreja. Tinha um manual, pedaleira e 652 tubos.

Em 1978, o órgão menor foi vendido para a Igreja de Nossa Senhora Aparecida de Vila Barcelona, em São Caetano do Sul, onde foi instalado e modificado por José Carlos Rigatto. Ganhou mais um teclado manual, teclados de madeira (como os de um cravo) e mais tubos, ficando com um total de 1018 tubos. O segundo manual acrescentado tinha tubos de procedência alemã. Os registros originais Tamburini ficaram distribuídos entre o primeiro manual e pedaleira. Nesta igreja, o órgão funcionou bem por alguns anos, contando com concertos realizados pela Associação Paulista de Organistas. Porém, na década de 90 começou a ser deixado de lado e os dirigentes da igreja manifestaram vontade de vender o instrumento.

No outro lado da história estava a Associação Paulista de Organistas que, desde 1999, vinha incentivando o Centro Cultural do Pateo do Collegio a adquirir um órgão de tubos. Com uma atividade cultural de concertos já sedimentada, a Capela precisava de um instrumento à altura das apresentações corais e instrumentais ali realizadas. O órgão, colocado à venda pela igreja de São Caetano, foi comprado pelos jesuítas com verba do Fundo Nacional de Cultura do Ministério da Cultura.

Desmontado entre 2001 e 2002, o instrumento foi restaurado e instalado na Capela por Márcio Rigatto, da Família Artesã Rigatto e Filhos, de São Paulo. Os trabalhos duraram seis meses. A consola e pedaleira originais Tamburini foram restauradas; os teclados e o painel de registros eram da montagem em São Caetano.

O instrumento, com tração eletrificada, ficou com a seguinte disposição na instalação no Pateo do Collegio:

 

Disposição fônica (2002-2012)

Pedal

Subbaixo 16´

Principal 8´

Bordão 8´

Baixo Coral 4´

I Manual

Principal largo 8´

Principal 8´

Bordão 8´

Dulciana 8´

Oitava 4´

Ripieno 5 filas

II Manual

Flauta 8’

Viola 8’

Flauta 4’

Picollo 2’

Cornet 2 filas

 

A partir de 2008, quando assumiu o posto de Organista Titular o músico Felipe Bernardo, o órgão passou a ser novamente utilizado na liturgia, sendo parte integrante do dia a dia no centro de São Paulo nas missas do meio dia. Em 2009, Felipe também assumiu as funções de Mestre de Capela, sendo responsável pela instituição de um coro e um novo conceito musical na liturgia. Com isso, o órgão também passou a ser parte integrante da Comunidade do Pateo do Collegio.

Em 2011, após decisão conjunta entre o organista e o diretor, o instrumento passou por uma nova modificação: foram acrescentados 3 novos registros, novos acoplamentos e um painel novo na consola;

No II Manual foram acrescentados um Oboé 8’e uma Vox Celestis, ambos de origem alemã, seguindo a estética sonora do II Manual. O registro Picollo 2’se transformou em Quinta 2 2/3 no I Manual. Em seu lugar entrou um Principal 2’, mais brilhante.

Esta reforma e ampliação foi executada pelo Sr. José Carlos Rigatto.

Em 2012, a manutenção passou aos cuidados dos mestres organeiros Juan Weinhold e Alejandro Galli, de Buenos Aires – Argentina. Quando estes organeiros assumiram o órgão foi feito um intenso trabalho de harmonização e afinação do instrumento. Isto adequou acusticamente o órgão na Capela, além de corrigir problemas técnicos e sonoros.

O Pateo do Collegio acredita que o órgão de tubos atua de forma penetrante para preservar um referencial histórico e cultural atualmente esquecido na maioria das Igrejas brasileiras, democratizando assim a música instrumental, sacra e erudita ao público em geral, além de incentivar novos estudantes deste instrumento tão complexo e belo.

 

Atual disposição fônica do instrumento (2012-)

Pedal

Subass 16’

Principal 8’ (Fachada)

Bordão 8’

Oitava 4’

Oboé 8’ (II)

Oboé 4’ (II)

I-Ped

I Super –Ped

II-Ped

 

I Manual

Diapasão 8’ (Fachada)

Principal 8’

Bordão 8’

Dulciana 8’

Oitava 4

Quinta 2 2/3 (2011)

Ripieno

II-I

I-Super

II-I Sub

II-I Super

 

II Manual

Flauta 8’

Viola 8’

Vox Celeste (2011)

Flauta 4’

Oboé 8’ (2011)

Principal 2’ (2011)

Cornet 2f.

Trêmulo

Anulador – Oboé

 

Crescendo

Expressão (II)

3 Combinações livres

5 Combinações fixas

 

Referências:
KERR, Dorotéa. Catálogo de órgãos da Cidade de São Paulo. São Paulo: Editora UNESP, 2001.
KERR, Dorotéa. Revista Caixa Expressiva – Publicação semestral da Associação Brasileira de Organistas (ABO) – Ano VI – N. 11, 2002.

 

 

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“O homem, criatura de Deus, traz em si a marca do Criador, o ‘Artista do universo’. A maneira de soltar e exprimir essas marcas é o sonho, a poe- sia, a música, a arte. A linguagem das artes, mais do que qualquer outra linguagem, aproxima o homem do mistério, da fonte da Beleza, de que ele próprio participa. Deus é pura Beleza. Deus é Amor. Quem ama canta. Por isso o homem, marcado por Deus, canta ao seu Deus. A música sacra é, as- sim, uma mediação que leva o homem a Deus, que traz Deus ao homem”, diz o padre Antonio Cartageno.

Música na LiturgiaÉ na liturgia que somos convidados a deixar-nos tocar pela ação salvífi- ca de Deus, participando desse modo, da Sua própria glória e perfeição eternas. A liturgia surge assim como uma realidade complexa, onde Deus e o Homem se encontram, dialogam, se comunicam, partilham as suas intimidades, se redescobrem e recriam. A música está presente na liturgia para dar forma ao rito humano-divino. Na verdade, as várias linguagens e expressões de arte são a mediação privilegiada, através da qual a ação litúrgica acontece. A linguagem artística tem revelado, ao longo de todos os tempos, uma especial aptidão para exprimir e concretizar este diálogo entre Deus e o Homem e realizar o Seu plano salvífico. Por isso, a Arte está presente na liturgia. Dentre todas as formas de Arte, a música ocupa um lugar de excelência e desempenha um papel privilegiado e insubstituível na liturgia, como reconhece o Concílio Vaticano II: «a tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte…». (SC 112)

A liturgia, o canto, une as pessoas, anima e dá vida à celebração. Facili- ta passar de “uma só voz” a “um só coração”, e, finalmente, a “uma só alma”, como se vê na espiritualidade das comunidades primitivas. Podemos, pela liturgia, unir nossa voz à dos anjos, sendo realmente nosso can- to exultação de um povo feliz e redimido. O canto ainda amplia o sentido das palavras e, por outro lado, sonda o mais profundo da interioridade do ser, cativa e faz brotar os sentimentos mais puros e profundos da alma hu- mana. Ele nos liberta dos limites da palavra, do racionalismo intelectual, do mero conceito, para dar-nos uma projeção do infinito e do indizível, na alegria que faz o coração exultar diante do mistério.

Música na LiturgiaMais do que a sacralidade da música, importa refletir sobre o seu papel es- pecífico e próprio, ou seja, sobre a possibilidade da linguagem musical in- tegrar o conjunto de expressões, verbais e não verbais, pelo qual a liturgia acontece e se desenvolve. Desse modo, a expressão musical aparece como a concretização das ações rituais em forma de linguagem artística sonora. Citando o Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI) numa entrevista que deu em 1985 a Vittorio Messori – Diálogos sobre a fé -, onde, entre vários temas, fala também da música sacra. Diz ele que:
“A Igreja tem o dever de ser também ‘cidade da glória’, lugar em que se reúnem e se elevam aos ouvidos de Deus as vozes mais profundas da hu- manidade. A Igreja não pode satisfazer-se com o ‘ordinário’, com o usual. Deve reavivar a voz do cosmos, glorificando o Criador e revelando do pró- prio cosmos a sua magnificência, tornando-o belo, habitável e humano”… Diz, a propósito, João Paulo II no seu Quirógrafo sobre a Música Sacra, citando, por sua vez, Paulo VI:
“Não pode existir uma música destinada à celebração dos sagrados ritos que não seja, antes, ‘verdadeira arte’, capaz de ter a eficácia que a Igreja deseja obter, acolhendo na sua liturgia a arte dos sons’”.

 

Felipe Bernardo

 

Ref.: João de Araújo: Importância do canto na liturgia
José Paulo Antunes: Novos paradigmas da música litúrgica

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Felipe Bernardo

Natural de Botucatu, concluiu o bacharelado em Música – Piano Popular na Faculdade Santa Marcelina (FASM) em São Paulo, sob a orientação de Mariô Rebouças e Ilza Antunes, aperfeiçoando–se no CLAM (Zimbo Trio) com Nelson Bergamini na mesma época que iniciou o curso de graduação. Na faculdade, regeu o “Coral Livre da FASM”, curso de extensão dedicado a difundir a música coral. Acompanhou o Coral Santa Marcelina de Botucatu de 2000 à 2014, sob a regência do Prof. José Alberto Corulli, com quem teve grande parte de sua formação artístico-musical. Com este coro participou de turnês nacionais e internacionais.
Tocou como solista e organista/pianista colaborador em diversos países, dentre eles Estados Unidos, Portugal, Itália, Alemanha, Suíça e Bolívia.
Participou de cursos e festivais voltados para música popular e erudite, nas áreas de performance musical, regência coral e orquestral e educação musical.
Fez os estudos na area de regência coral com José Alberto Corulli, João Batista Biglia, Beat Raaflaub (Suiça), Paulo Celso Moura (OSESP), Eduardo Lakschevitz (UNIRIO) e Henry Leck (Indiana-USA), dentre outros.
De 2009 à 2011 foi Organista Assistente na Basílica Nossa Senhora do Carmo.
Desde 2008 é Organista Titular e Mestre de Capela no Pateo do Collegio – sua principal atividade – onde compõe repertório sacro/litúrgico e rege a Schola Cantorum do Pateo.
Colabora como organista com importantes coros, destacando o projeto “Bachianas Paulistas” – Cantatas de Bach com o Coro Luther King, sob a regência do Mto. Martinho Lutero Gallati e a participação como continuista na montagem do “Messias” de Handel, no Theatro Municipal de São Paulo com o Coral Paulistano e OER.
Desenvolve intensa atividade como solista e camerista.
Atualmente é aluno regular do Programa de Pós Graduação em Música da UNESP, Mestrado em Performance Musical – Órgão, sob orientação da Prof. Dr. Dorotea Kerr.

 


 

Ana Raquel Rodrigues

Há 30 anos trabalha com Canto Coral como ensaiadora, regente e cantora (mezzo-soprano).
Cursou Composição e Regência na Faculdade Santa Marcelina. Estudou canto lírico com a mezzo-soprano Inês Stockler e canto popular com Maria Alvim. Cursou em 2014 Teoria Musical com ênfase em Análise na University of Edinburgh’s Reid School of Music (recentemente classificada em primeiro lugar no Reino Unido).
Tem vasta experiência em ensaiar e reger diferentes estilos e formações de grupos vocais, tais como Sacro, Gospel, MPB, Jazz e Erudito, tendo participado de um quinteto vocal feminino que gravou nos EUA faixa em um CD de Jazz que rendeu um destaque da crítica no site Jazzreview.com.
Atuou como regente do Coral Livre da FASM-Faculdade Santa Marcelina, pertencente aos Cursos de Extensão da faculdade. Ministra aulas de musicalização, percepção e técnica vocal em escolas particulares e igrejas.
Criou e utiliza seu próprio método de “Musicalização e Percepção” voltada para cantores de coro amador, baseado na sua extensa vivencia com seus alunos.
Sua didática dinâmica e motivadora é constantemente elogiada pelos alunos e outros profissionais, e consegue atingir resultados consistentes e singulares.

 


 

Eduardo Oliveira

Nascido em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, iniciou na música aos cinco anos de idade tocando acordeon. Posteriormente, cursou piano erudito no Conservatório Estadual de Música Juscelino Kubitschek de Oliveira, em Pouso Alegre. Ainda em sua cidade natal, colaborava em várias igrejas como tecladista e diretor musical, além de manter sua atividade como acordeonista em vários grupos de música popular.
Atualmente é aluno da Graduação em Regência na UNESP e tem o Órgão como instrumento complementar, com aulas ministradas pela organista Dorotéa Kerr. Participou de congressos com organistas nacionais e internacionais entre eles Janette Fishell (organista e professora da Universidade de Indiana – EUA) contando com aulas e masterclasses. Desde 2015 é organista assistente no Pateo do Collegio.

 


 

Flávio Fachini Ferreira

Natural de São José dos campos, começou os estudos de música aos 16 anos com Clara Zarur, com quem teve aulas de piano erudito e popular.
Aos 18 anos entrou no Coro Jovem Sinfônico de São José dos Campos, aprimorando o estudo de solfejo, teoria musical, técnica vocal e fonética de vários idiomas. Com este grupo participou de montagens de grandes obras como Nona Sinfonia de Beethoven, Réquiem de Mozart, Réquiem de Fauré (como solista), Réquiem de Verdi, Carmina Burana de Carl Orff, Paixão Segundo São João de J.S. Bach, Lobgesang de Mendelsohn entre outras.
Integrou o Coro Jovem do Estado por dois anos (2008 e 2010), participando de concertos pela cidade de São Paulo, e Campos do Jordão com repertório renascentista, barroco e brasileiro.
No Theatro São Pedro fez parte das temporadas de 2010 e 2011, integrando os coros das óperas: Rogoletto de Verdi, Viúva Alegre de Lehár, Norma de Bellini, Romeu e Julieta e Gounod e Guarani de Carlos Comes. Além de concertos sinfônicos e óperas em forma de concerto.
Em 2014 foi professor de coral no projeto OCA dos Jesuítas em Embu das Artes que atende aproximadamente 200 jovens da cidade.
Está cursando licenciatura em Música na Universidade de São Paulo – ECA/USP.
Desde 2014 é professor de Solfejo no Coro Jovem Sinfônico de São José dos Campos.
Desde 2011 é monitor e professor de técnica vocal na Schola Cantorum do Pateo do Collegio.

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Na apresentação da I edição do Livro de Cantos do Tempo Comum da Capela São José de Anchieta, o Pe. Carlos Alberto Contieri, sj – fundador da Schola Cantorum – escreve:
“O canto não é um acessório artístico da Liturgia; ele é parte integrante da ação litúrgica. O canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da liturgia solene’ (SC, V, cap VI, 112). Devemos ter sempre presente esta maxima: não se canta na missa, a missa é cantada. Nesse sentido, a Schola Cantorum não substitui a Assembléia, mas é uma preciosa ajuda para que toda a Comunidade participle integralmente da Celebração cantando univocamente.”

Schola CantorumNa II edição, Pe. Contieri complementa:
“As músicas executadas durante a Missa não são um apêndice, nem tampouco visam cobrir um vazio. A escolha esmerada e criteriosa do repertório, o modo como a Schola Cantorum prepara e executa os cantos durante a celebração, os arranjos musicais feitos porquem tem a música como que uma segunda natureza, a participação da Assembléia nos cantos, são sinais de que o canto litúrgico é parte integrante e indispensável da ação litúrgica; e porque não dizê-lo, o canto é o modo próprio da liturgia, de ‘dizer’o Mistério de Deus.”

A proposta da Schola Cantorum, como seu nome carrega, é de proporcionar o ensino de música para as pessoas da comunidade. Além dos ensaios, os membros tem aulas de teoria musical e percepção e técnica vocal aplicada. A Schola Cantorum do Pateo do Collegio também proporciona a seus membros um apuramento da cultura musical e geral, formando além de bons cantores, bons ouvintes. O coro tem se aprimorado através de ensaios intensivos, workshops, masterclasses e aulas com professors e regentes convidados, tais como João Batista Bíglia, Ary Souza Lima, Ana Elisa Portes, entre outros.

Schola CantorumA Schola é composta por membros da comunidade do Pateo do Collegio que se reúnem duas vezes por semana para ensaiar. O objetivo do coro é servir nas Missas com qualidade técnica e de repertório, sendo assim uma referência no canto sacro e litúrgico na cidade de São Paulo. A Schola Cantorum tem recebido elogiosas críticas de músicos sacros, liturgistas e especialistas em assuntos da Igreja.
Desde 2009, está sob a regência de Felipe Bernardo, Organista Titular e Mestre de Capela do Pateo do Collegio.
“A qualidade é uma exigência essencial da música litúrgica.
A linguagem da música deveria ser tal que uma pessoa ouvisse ou cantasse aquela beleza que um dia virá a cantar no outro mundo.
É o sentido do transcendente.
Se não podemos, com palavras banais, exprimir coisas belas, como poderemos, com música banal, exprimir realidades transcendentes?”
(B. P. L., 29-31, p.2014)

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Horário das missas

Terça à sexta-feira
às 12 horas

Com órgão

Domingo

Laudes
às 9h15

Santa Missa
às 10 horas

Com órgão e participação da Schola Cantorum

 

Endereço

Praça Pátio do Colégio, 84
Centro — São Paulo — SP
Telefone: (11) 3105 6899

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II Domingo do Advento


I Domingo do Advento


Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo


XXXIII Domingo do Tempo Comum


Solenidade de todos os santos e santas de Deus


XXX Domingo do Tempo Comum


XXIX Domingo do Tempo Comum


XXVIII Domingo do Tempo Comum


XXVII Domingo do Tempo Comum


XXVI Domingo do Tempo Comum


XXV Domingo do Tempo Comum


XXIII Domingo do Tempo Comum


XXI Domingo do Tempo Comum


Solenidade da Assunção de Nossa Senhora


XVII Domingo do Tempo Comum


XVI Domingo do Tempo Comum


XV Domingo do Tempo Comum


XIV Domingo do Tempo Comum


Solenidade de São Pedro e São Paulo


XI Domingo do Tempo Comum


X Domingo do Tempo Comum


IX Domingo do Tempo Comum


Santíssima Trindade


Solenidade de Pentecostes


VII Domingo da Páscoa


VI Domingo da Páscoa


V Domingo da Páscoa


VI Domingo da Páscoa


II Domingo da Páscoa


V Domingo da Quaresma


IV Domingo da Quaresma


III Domingo da Quaresma


I Domingo da Quaresma


V Domingo do Tempo Comum


IV Domingo do Tempo Comum


III Domingo do Tempo Comum


II Domingo do Tempo Comum


III Domingo do Advento


Solenidade de Cristo Rei do Universo


XXXIII Domingo do tempo comum


XXIX Domingo do tempo comum


XXVIII Domingo do tempo comum


XXVII Domingo do tempo comum


XXVI Domingo do tempo comum


XXV Domingo do tempo comum


XXIV Domingo do tempo comum


XXIII Domingo do tempo comum


XXII Domingo do tempo comum


Assunção de Nossa Senhora


XVII Domingo do tempo comum


XVI Domingo do tempo comum


XIV Domingo do tempo comum


Solenidade de São Pedro e São Paulo, apostólos


XII Domingo do tempo comum


XI Domingo do tempo comum


Solenidade da Santíssima Trindade


Solenidade de Pentecostes


6º Domingo da Páscoa


4º Domingo da Páscoa


3º Domingo da Páscoa


2º Domingo da Páscoa


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Ao longo de mais de quatrocentos anos, a Igreja do Colégio passou por grandes transformações. De cabana em 1554, a igreja ganhou contornos da arquitetura colonial jesuítica durante o século XVII e sofreu com o abandono após a expulsão dos jesuítas no século XVIII. Em fins do século XIX decidiu-se, através de um acordo entre o Bispado de São Paulo e o Governo da Província, pela demolição do templo em lugar da reconstrução, após o desabamento de parte de seu telhado durante uma tempestade em 1896. Já no século XX, após a devolução do Pateo do Collegio para a Companhia de Jesus como um dos marcos iniciais das comemorações do Quarto Centenário da Cidade em 1954, a igreja pôde ser reconstruída sendo inaugurada em 1979. Em 1980 o padre José de Anchieta passa a ser seu padroeiro após ser beatificado pelo papa João Paulo II. Em 2009 a igreja passa por sua última reforma onde se buscou a unidade entre a celebração e o espaço litúrgico. Finalmente em 2014 a igreja tem seu padroeiro canonizado pelo papa Francisco e passa a se chamar “Igreja São José de Anchieta”. É neste ambiente amplo e com decoração única que a igreja acolhe seus fiéis nas missas cantadas, sempre acompanhadas pelo órgão de aproximadamente mil tubos sob a direção da Schola Cantorum, e nas celebrações de batismos e casamentos.

São José de Anchieta

São José de Anchieta

Aos 19 de março de 1534, em São Cristovão de Laguna, Ilhas Canárias, nasceu José de Anchieta.

Terceiro de 12 irmãos, filho de Mencia Dias de Clavijo e Llerena e João Lopez de Anchieta, de origem basca, que emigrou para as Ilhas Canárias (1522) por ter se envolvido na revolta dos comuneros. Aí recebeu auxílio de um membro distante de sua família, o cavaleiro Inácio de Loyola.

O menino Anchieta, desde sua infância, dedicou sua vida à oração e ao auxílio do próximo.

No ano de 1548, foi enviado por seus pais à Coimbra para se matricular no Colégio das Artes, onde se destacou no aprendizado da poesia latina. Neste mesmo ano, na velha Catedral de Coimbra, em frente ao altar de Nossa Senhora, que o jovem José de Anchieta entregou sua vida plenamente, realizando seu voto de perpétua castidade.

Dentro de pouco tempo, conheceu a ordem religiosa fundada por Inácio de Loyola, identificando-se com os seus ideais, o que fez de seu ingresso na Companhia de Jesus algo natural. Respondeu ao chamado de Cristo em 1º de maio de 1551, com 17 anos.

Por razão de uma grave enfermidade — não se sabe ao certo qual — que sofreu um deslocamento em sua espinha dorsal. Tal enfermidade o acompanharia ao longo de sua vida e teria sido um dos motivos para sua vinda ao Brasil, na esperança de uma melhora ou, até mesmo, uma cura.

Em 8 de maio de 1553, saía de Lisboa na esquadra de D. Duarte da Costa, o então noviço da Companhia, José de Anchieta, na terceira missão jesuítica, chefiada pelo P. Luis da Grã, acompanhado dos padres Ambrosio Pires e Braz Lourenço e dos irmãos João Gonçalves, Antonio Blasquez, Gregório Serrão; desembarcam em Salvador, permanecendo por aproximadamente três meses. Aí Anchieta iniciou ali seus estudos da língua indígena.

Passam em seguida pela Vila de São Vicente e seguem para a missão nos Campos de Piratininga, coordenada pelo P. Manuel de Nóbrega.

Com o objetivo primeiro de catequizar os indígenas, construiu-se, com ajuda do cacique Tibiriçá, uma cabana de pau-a-pique que servia simultaneamente de escola, capela, enfermaria, dormitório, refeitório e cozinha.

Aos 25 de janeiro de 1554, realizaram uma celebração eucarística de inauguração do colégio dos jesuítas, que recebeu o nome de Colégio de São Paulo em homenagem ao dia de conversão do Apóstolo São Paulo. Dois anos mais tarde terminaram o grande colégio com o empenho do P. Afonso Brás, auxiliado pelos nativos e construído em taipa de pilão. Em torno deste colégio surgiu o povoado que deu origem à cidade de São Paulo.

Neste colégio, José de Anchieta catequizava e lecionava Humanidades, como artes, poesia e teatro. Também confeccionava roupas e alpargatas, trabalhava na construção de casas e atendia como boticário — prática que pôde ser aperfeiçoada devido ao seu estreito relacionamento com os indígenas e decorrente aprendizagem das técnicas nativas, o que deu início a avanços médicos na região.

Auxiliado pelos curumins, seus primeiros tradutores, e tendo a facilidade de aprender novas línguas, escreveu uma gramática do Tupi, a língua mais falada no Brasil. Desta forma pôde traduzir o catecismo e o evangelho para esta língua.

No ano de 1563, durante a guerra entre tamoios e tupiniquins, Anchieta se fez refém na praia de Iperoig para auxiliar o fim do conflito. Enquanto isso, P. Manuel da Nóbrega negociava com as partes envolvidas na batalha na tentativa de restabelecer a paz.

Apoiado em sua fé, que lhe dava a certeza de que iria sobreviver e que a paz seria alcançada, Anchieta escreveu seu famoso Poema à Virgem, com mais de 5 mil versos. Este poema figura entre as grandes obras do Renascimento.

Em 22 de agosto de 1566 foi ordenado sacerdote na Bahia. Logo após sua ordenação acompanhou o P. Inácio de Azevedo, Visitador do Brasil, e ficou no governo das casas de São Vicente e São Paulo de 1567 até 1577. Nesse ano retornou à Bahia, onde esperava ser designado à reitoria do colégio de Salvador, porém foi destinado a ser o Provincial do Brasil.

Em 1585 pediu dispensa do cargo de Provincial devido ao agravamento de suas enfermidades, pois este cargo exigia visitas anuais a todas as casas da Província. Em 1588 é finalmente substituído, sendo destinado como Superior das casas do Espírito Santo, onde volta ao trabalho missionário com os indígenas, o que fez até o final de sua vida. Faleceu em 9 de junho de 1597 em Reritiba, atual cidade de Anchieta.

Seu corpo foi levado nos ombros dos índios para a Igreja de Santiago, em Vitória, local que poderia atender melhor aos peregrinos que procuravam por bênçãos e milagres do então chamado “Apóstolo do Brasil”.

Doze anos após a morte de Anchieta, em 1609, foi feita a exumação de seus restos mortais, que foram transladados para a Catedral de Salvador na Bahia a pedido do Geral da Companhia de Jesus, P.Claudio Acquaviva. Entretanto, o fêmur permaneceu exposto na Igreja de Santiago até 1610, quando foi transferido para Roma, permanecendo durante três séculos e meio.

Desde quando José de Anchieta era ainda moço, espalhou-se a fama de suas virtudes. Ser comparado ao “Ir. José” era ser comparado a um santo.

Após a expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, o Superior da Companhia de Jesus na Bahia, a pedido do Marquês de Pombal, e em nome do rei D. José I, enviou para Portugal o baú de jacarandá contendo ossos humanos e o manto de tecido castanho claro que teriam sido de José de Anchieta. Este baú foi encontrado em 1964 na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, fato amplamente noticiado pela imprensa portuguesa da época.

Já no ano de 1971 o Governo de São Paulo, juntamente com os jesuítas, solicitou à Portugal o retorno do baú com os ossos e o manto, o que ocorreu ao final da década de 1980. O manto passou ficar exposto na Capela de Anchieta, no Pateo do Collegio. Inteiramente restaurado, este manto que pertenceu a Anchieta passou a integrar este Oratório, espaço dedicado ao Santo, na Capela do Pateo do Collegio (grafia original). Neste período, o fêmur que estava em Roma desde 1610, retornou para o Brasil e ficou exposto juntamente com o manto.

Embora a campanha para a sua beatificação tenha sido iniciada na Capitania da Bahia em 1617, só foi beatificado em junho de 1980 pelo Papa João Paulo II. Ao que se compreende, a perseguição do Marquês de Pombal aos jesuítas havia impedido o trâmite do processo iniciado no século XVII.

Após 397 anos de abertura do processo de canonização, em 3 de Abril de 2014, é canonizado São Jose de Anchieta, pelo P. Francisco em cerimônia no Vaticano.

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