SÁBADO IV DA QUARESMA

Exemple

Textos: Jr 11, 18-20; Sl 7; Jo 7, 40-53

 

Como o profeta Jeremias, Jesus vive por parte das pessoas, membros do seu próprio povo, admiração, dúvidas, perseguição, ameaças de morte. Por mais dura que seja a realidade, o profeta permanece fiel à Palavra de Deus; Jesus, por sua vez, não admite renunciar em fazer a vontade de Deus, pois ela é seu alimento (cf. Jo 4, 34), o que sustenta a sua vida e missão.

A presença de Jesus, seu ensinamento e ações, divide as pessoas no que diz respeito à sua identidade. Os que passam a crer em Jesus, por causa dos sinais que ele realiza, passam a ser hostilizados. Nem mesmo os soldados ousaram pôr as mãos sobre Jesus para prendê-lo. O leitor sabe, não obstante a instigação dos fariseus, de que o que os soldados experimentaram ouvindo Jesus não era ilusão, mas a verdade. A admiração dos soldados se deve à “força” do ensinamento de Jesus: o que ele dizia fazia plenamente sentido:  Ninguém jamais falou assim (v. 46). Nicodemos, fariseu e membro do Sinédrio, é um dos personagens importantes do quarto evangelho. Nele nós vemos refletido todos os que empreendem o itinerário de amadurecimento da fé (Jo 3, 1-21). Tendo ido procurar Jesus, à noite, é ele que, agora, sai em sua defesa. Ouvir de verdade Jesus é oferecer a Deus a possibilidade de ser transformado por ele. Por isso, Nicodemos que ouviu longamente o Senhor convida em vão os chefes do povo a fazerem o mesmo. Se da Galileia não havia surgido profeta, não é o caso agora, pois, é de lá quem vem o verdadeiro profeta, e mais do que um profeta, o próprio Verbo de Deus que escolheu a nossa humanidade como lugar de sua habitação. No caso do evangelho, os que examinam a Escritura são prisioneiros da letra em detrimento do Espírito que sopra onde e quando quer, e fazem da Escritura refém de sua ideologia.

P.Carlos Alberto Contieri, SJ.


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